quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Já demonstra falta de inteligência por roubar

O título desta postagem é um eufemismo para o que o cinegrafista que atualmente trabalha comigo disse sobre o personagem de ‘ôje’ – ‘almenagem’ (piada interna que pode ser explicada mediante solicitação em um breve texto) ao gênio que é acusado (deixo claro que é acusado; ainda não se investigou nada porque o fato aconteceu na terça-feira), prosseguindo, acusado de roubo de gado.


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Pois bem, vamos ao atestado de falta de inteligência. Como todos os meus fieis leitores não conhecem a região do Alto Paranaíba, minha atual residência, um mapa vai ilustrar melhor a situação (este post é um oferecimento de Google Mapas – quem me dera eu tendo patrocínio para escrever besteira).


Exibir mapa ampliado

São apenas 120km de São Gotardo até Patos de Minas. Duas cidades separam os dois lugares e devo acrescentar, as estradas por aqui não têm curvas. Se bobear dá para fazer o trajeto em menos de uma hora. Onde quero chegar? Sem eufemismos agora, na burrice de quem quer que seja que tenha roubado as 23 cabeças de gado na manhã de terça e na noite do mesmo dia tentou vender em um leilão semanal na cidade vizinha! Será que esse cara não pensou que poderia ser facilmente desmascarado? Provavelmente não. Como já disse o Ernane, meu companheiro de reportagens, já mostra que é burro por estar roubando!

Mais uma vez caímos na tal discussão das oportunidades e blá, blá, blá... Volto a repetir, muita gente passa necessidade e não deixa de ser honesto.

Não é esse o ponto central de hoje. O que quero dizer, no final das contas, é que o sujeito precisa ser bom no que faz. Até mesmo para roubar tem que ter inteligência.


Aviso: leitores, não roubem, não matem, não usem drogas e não façam sexo sem camisinha (que bonitinho esse capiau politicamente correto!). Completando, sem ironia alguma (sério, não é ironia!): rezem!


segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Solução drástica!

A causa da criminalidade é a desigualdade social e um monte de abobrinhas e tantos legumes quantos sejam necessários para uma boa salada.

Não quero discutir isso. Como editor – para não dizer ditador – e único redator deste blog – a clássica figura do Príncipe de Maquiavel (estou inspirado por uma rápida conversa com meu caro amigo Vinícius Cunha Magalhães que ora faz um trabalho sobre tal autor) – não acredito vir ao caso falar sobre tais causas.

(Para quem quiser:)

Causas brasileiras

Causas portuguesas (e europeias em geral)

Sem mais delongas, uma solução drástica foi tomada em Mariana (o mineiro que clicar no link ao lado leva uma surra de gato morto):


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Para que eu não fique parecendo um insensível e Taleban (no dia que um Taleban aprender português e resolver ler meu blog eu serei processado – eles são tão citados aqui), uma primeira posição: a cadeia pública, ou mesmo o reformatório, não são lugares para menores infratores. A verdade é que não deveriam existir menores infratores, nem criminalidade. Mas como isso só existiria no mundo de Pollyanna, já que as oportunidades estão longe de serem as mesmas para todos (se elas fossem, a Terra seria o Paraíso), o acórdão do TJ aplicado em Mariana está quase certo – esta foi a segunda posição, caso tenha passado despercebido.

“Quase” porque para mim estes infratores contumazes deveriam ser presos e julgados como adultos. Não tenho dúvidas de que aos 16, 17, 20 anos eu não tinha a maturidade que tenho hoje (de certo aos 30 ela será muito maior do que agora), mas sei que já sabia diferenciar o certo do errado.

Não matei o peão que me roubou a namorada. Não matei a namorada que me trocou pelo peão. Não resolvi vender drogas para completar a mesada. Não usei drogas para ser “feliz”. Não esfaqueei o chifrudo que me pediu “cinco conto” emprestado e não pagou. Sabia que tudo isso era errado.

Nesta idade, creio todos já saberem diferenciar o certo do errado. Na pior das hipóteses, o bem e o mal – todo mundo vê desenho de mocinho e bandido.

Não há desculpa para a criminalidade juvenil. Trabalhemos, contudo, para amenizar as desigualdades sociais e para dar oportunidade a todos, mas, se alguns não fazem as escolhas erradas guiados pela adversidade, não passemos a mão na cabeça de quem as faz. Um erro não justifica o outro.

Dia Mundial sem Carro em Ouro Preto

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sábado, 29 de agosto de 2009

Santo de casa também faz milagre

O final da década de oitenta e o início da de noventa foi o período de minha infância. Época da vida em que se é cheio de curiosidades e o pai é o dono de todas as verdades e conhecimentos do mundo. É nesta idade que achamos que ele é um super herói, que ele é milionário e muito inteligente (hoje sei que meu pai não é milionário).

É bem viva em minha memória a cena de uma conversa. Quase viva. Não sei de onde surgiu o assunto, mas na época em que os carros brasileiros ainda eram carroças, de acordo com o ex-presidente, Fernando Collor de Mello, meu pai falava sobre os importados. Não só de carros, de produtos em geral. Eis que eu perguntei para ele se tudo o que era importado era melhor do que o que era produzido aqui?

Ainda bem que em sua sabedoria de um homem de menos de trinta anos na época ele me disse: nem tudo, meu filho. Nem tudo.

Concordo. Naquela época os brinquedos da Estrela e da Grow eram bem melhores do que os importados da China hoje em dia. Ainda acho que um grupo de samba brasileiro é melhor que um japonês – não encontrei um link de samba japonês, mas já vi na TV.

Escrevo hoje como um manifesto ao nacionalismo e valorização do que é feito por aqui, motivado por uma matéria veiculada na Globo News:

Tudo bem, a patente é francesa, mas temos a tecnologia e a mão de obra adequadas para produzir a vacina. Este foi um exemplo de um problema atual. Mas posso citar também o fato de o Brasil ser referência no tratamento da aids e os biocumbustíveis, assunto que começou a ser tratado durante a ditadura – talvez um dos poucos pontos positivos deste período de nossa história, por mais que seu desenvolvimento não tenha se baseado nas causas ambientais de hoje e sim em fatores econômicos, no caso, a crise petróleo, na década de setenta.

Mais um ponto da ditadura que eu considero positivo – com parte dele: “Brasil, ame-o ou deixe-o!”. Não quero ver ninguém exilado, longe de mim. Mas aos que dizem: tal coisa só acontece no Brasil; só os políticos brasileiros são corruptos e afins: por que não tentar a vida no exterior?

Um dia pretendo viver fora, mas valorizar nossa terra mãe acima de tudo é fundamental! O Brasil é como uma família: tem seus problemas, mas não venham falar mal dela!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Como se dar bem numa festa, por André Valente

Todos sabem que este é um blog muito sério. Aqui só é postado conteúdo jornalístico de primeira. Em dias manteiga derretida abro meu coração e posto uma crônica. Pois bem. Dias desses eu estava procurando não sei o que por aí e me deparei com o blog de André Valente e uma obra prima da blogosfera. Depois de muito relutar e pensar como dividir o que eu tinha aprendido, resolvi postar. Caros leitores homens, aí vai a dica. Caras leitoras, cuidado com um cara assim:


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Internet, a mãe dos solteirões

Sou o típico solteirão que não sabe cozinhar. De acordo com o dito popular, não sei nem fritar ovo (muito embora algumas cozinheiras defendam que fritar um ovo não é tão simples assim). Até abril eu vivia sob as asas da mamãe. Depois disso, para minha sorte, (ainda) não precisei cozinhar, graças ao marmitex nosso de cada dia.

Tenho fogão em casa, mas ainda não comprei gás. Só faço café. Para isso me basta o microondas. Até mesmo para cozinhar ele é suficiente (pelo menos na culinária experimental de Lucas Girardi). Quando me arrisquei, obtive os mais diversos resultados: desde comidas intragáveis até um delicioso manjar. Para completar, o inacreditável Google fornece receitas de microondas para os dias que resolvo ser convencional.

Após dois parágrafos de divagações, vamos ao fato que me motivou a escrever sobre esta mãezona.

Semana passada eu manchei uma camisa com tinta de caneta. Não sei como. Meu editor já foi logo dizendo:

- Agora só vai poder usar com o paletó. Tinta de caneta não sai.

Voltei para casa meio entristecido. Um tanto quanto jururu. Sorumbático (bonita palavra, né?). Sem vontade de cantar uma bela canção. O oposto de Joseph.

Dias depois, decidi procurar na internet uma maneira de tirar a mancha da camisa. Encontrei uma solução simples: colocar um pedaço de papel higiênico debaixo do sujo e pingar álcool. A tinta se dissolveria e passaria para o papel. Não é que deu certo! Quase rabisquei outra roupa só para ver a mágica acontecer.

O detalhe: usei álcool em gel, claro. Em tempos de gripe suína não se pode dar bobeira nem para tinta de caneta.

Aproveito para defender a teoria: o que não está no Google, não existe.

sábado, 22 de agosto de 2009

Um conto (quase) erótico

Caros amigos de prosa, eu aviso: o que vou contar agora é verdadeiro e obsceno. Leia apenas se conteúdos obscenos não causarem choque. A obscenidade deste fato obsceno é de imensurável obscenidez.

Já deu para causar suspense?

Chega de falácias flácidas para dormitar bovinos.

Sábado à noite. Ouro Preto. Vielas pouco iluminadas e estreitas. A chuva caía do lado de fora. Encontrava-me dentro de casa. Não esperava visitas. Ouvi vozes. Repentinamente bateram à minha porta. Ela é de vidro. O imóvel pequeno. O barulho foi alto. Levei certo susto.

Levantei-me e fui ver quem era. Antes de acender a luz, vi apenas uma silhueta feminina do lado de fora. Imaginei ser uma amiga que dissera no dia anterior que iria a uma festa perto de onde moro. Não era ela. Um rosto desconhecido, acompanhado de outros dois: um feminino e outro masculino.

Eu vestia uma calça de moletom e uma blusa que era de meu avô. Estava pronto para dormir. Parecia um velho, um tiozão. A mulher em minha frente corroborou minha impressão ao dizer:

- Moço, a gente está em uma festa e o banheiro está super lotado. A gente pode usar o seu? (Moço? Ela devia ter minha idade!)

Logicamente eu assenti. Não se nega um copo de água nem uma ida ao banheiro a quem bate a sua porta. As duas moças foram ao toalete. Eis que o rapaz me solta a clássica pergunta nas redondezas ouropretanas:

- Você estuda aqui?

Não aguento mais. Acho que vou mandar confeccionar uma camisa: Não, eu não estudo na UFOP!

A bem da verdade, este texto foi escrito só para passar o tempo em uma noite de sábado dentro de casa. Pelo menos eu não gastei nada.

E para constar: obsceno é uma cena que choca. Eu fiquei chocado quando vi que o chão da sala que tinha acabado de limpar ficou todo marcado de pés sujos. Talvez a garota tenha razão em me chamar de moço.

Paiaçada!

Antes de qualquer coisa um esclarecimento acerca do título deste texto: paiaçada é algo muito parecido com palhaçada. No circo, os palhaços fazem palhaçada – existe uma relação direta com o riso. Fora do picadeiro o que acontece é a paiaçada, que nada tem com o humor – muito pelo contrário, a mim me deixa de mal humor.

Pronto, estabelecido o conceito, vamos à paiaçada:


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Hora da matemática: arredondando os quinze mil novecentos e alguma coisa para 16 mil reais os cálculos ficam redondos. Segundo matéria publicada no site do jornal “O Progresso”, de Dourados, no Mato Grosso do Sul, o custo diário da merenda de uma criança é, em média, R$ 0,80 – só para chamar mais atenção: oitenta centavos.

Aos cálculos.

16 mil divido por zero vírgula oito é igual a 20 mil – este número representa a quantidade de merendas servidas com o dinheiro gasto na paiaçada de roubar placas.

Para deixar ainda mais claro, cheguemos ao número de crianças que merendariam em um ano com este dinheiro mal gasto: 20 mil dividido por 200 (número de dias letivos em um ano) é igual a 100! Cem crianças teriam a merenda garantida com o recurso.

A paiaçada, contudo, deixou os pequenos Sem nada! – tosco o trocadilho do cem e do sem.

Sem querer ser um taleb – singular de taleban, que significa estudante (o que não vem ao caso agora), mas já sendo: estes paiaços merecem uma surra de gato morto até o bichano miar...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não foi a mãe quem batizou

Os mineiros são realmente muito práticos. Quem nunca ficou apertado porprecisar do telefone de um tal Meio Quilo e não sabia como procurar na lista telefônica?

Pois bem, em Poço Fundo, Minas Gerais (não Passo Fundo, Rio Grande do Sul), o problema foi resolvido por um jornal local. Foi publicado um catálogo de telefones a partir de apelidos. Prático. Funcional e em alguns casos, essencial.

Existem pessoas que receberam um nome no batismo e só. Depois disso apareceu um apelido tão marcante que nem mesmo a própria mãe chama o pobre coitado pelo nome. Algumas vezes é o melhor que poderia acontecer ao sujeito. É o caso de nomes um tanto quanto estranhos. Trabalho com um Cleidivânio que virou Nico.

Não preciso ir longe: não sou neto do Manuel Francisco, sou neto do Nenzinho. Sou filho do Dandão e não do Márcio. Tenho um amigo que se chama Tood (sempre fico na dúvida quanto à grafia). No final de semana encontrei com um cara de minha cidade que disse que eu não lembrava dele. Disparei: você é o Peixe Morto – não me perguntem o nome dele. Estudei com o Br’oz e com o Fritz. Já ia me esquecendo do Latino.

Houve uma época em que eu não fazia questão de dizer meu nome quando me apresentavam pelo sobrenome. Tem gente que não deve saber que me chamo Lucas. Até hoje sou o Girardi.

Agora vivo em Ouro Preto. Aqui ninguém tem nome. Todos têm apelidos. Conheci um Xixi, um Jacuí, um Marcha, um Por Enquanto, um Espanto. A lista não acaba. Também pudera. Aqui ninguém tem casa, tem república. Até eu que moro sozinho decidi batizar a minha: Yovivoalone (Yo vivo alone).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não quero ficar gripado

Até hoje a Gripe Suína era apenas uma doença bem distante. Lá das colinas verdejantes onde os Teletubies iam brincar, até o dia em que caíram de cama, gripados, e morreram. Brincadeiras a parte, mesmo com as não sei quantas matérias que fiz falando da Nova Gripe, ela não passava de números – o velho tautismo dos números que não significam nada até a hora que interfere em nossas vidas.

Para ser mais claro: só nos interessamos se alguém morreu na estrada durante um feriadão se foi alguém de nossa família ou pelo menos um conhecido que se envolveu em algum acidente. E por aí vai. A Gripe Suína, que está a poucos quilômetros de minha casa, me preocupava tanto quanto a Gripe do Frango, lá no Oriente.

O verbo está no pretérito imperfeito (significa que a ação que aconteceu no passado não está terminada). Na próxima semana eu iria a uma apresentação teatral em Belo Horizonte (futuro do pretérito – não vou mais). As autoridades recomendaram que lugares fechados devem ser evitados. Eu é que não vou pagar para ver pensando que nunca vai acontecer comigo. Enquanto os porcos estiverem espirrando eu vou é ficar longe do chiqueiro – sem querer ofender nenhum dos porcamente gripados com o trocadilho, ou, já que abusei falando de tempos verbais, com a paranomásia.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Absolveram o "Capitão"!

O “Capitão” foi absolvido nesta quarta-feira pelo Conselho de Ética. Só tenho uma coisa a dizer: os nove deputados que votaram a favor de Edmar Moreira (sem partido-MG), só podem estar de brincadeira! É o cúmulo da cara de pau absolver um sujeito que construiu um cassino no interior de Minas.

Mas a verdade é que isso não me assusta. A grande mídia tem vários assuntos para abordar esses dias. Um deputado, que é dono de um castelo avaliado em R$ 25 milhões, ser absolvido e, como consequência, tem o mandato mantido não é o mais importante atualmente. Para falar a verdade tem muita coisa mais importante acontecendo:

Michael Jackson morreu. Na edição desta quinta o JN usou seu precioso e caríssimo espaço com imagens inéditas do cantor ensaiando dois dias antes de sua morte.

O Curinthia de Ronaldo! (a exclamação é para tentar dar a entonação que Zina dá) foi campeão da Copa do Brasil.

O Grêmio (vamos lá imortal) deixou o Cruzeiro avançar para a final da Libertadores.

Os acusados de matar Aline Soares estão sendo julgados em Ouro Preto.

Outro Air Bus caiu. Desta vez uma menina sobreviveu e já acharam a caixa preta.

Em que planeta as ações da deputaria (o bom de ser redator e editor do blog é poder usar palavreado de baixo calão sem ser censurado) são mais importantes do que esses assuntos?

Estou de mal humor e com sono. Os fanfarrões do Grêmio me fizeram ficar assim. Não bastasse ainda tenho que ouvir a carreata lá fora na rua e aguentar as gozações no trabalho amanhã. Acho que vou acompanhar o campeonato indiano de críquete para ser mais feliz. A intenção era registrar mais essa bandalheira política. O próximo texto será mais alegre – assim espero.

terça-feira, 30 de junho de 2009

De volta às trivialidades

Depois de dois meses sem publicar no blog, voltei a escrever motivado pela decisão do STF. Hoje volto a escrever sobre assuntos variados. Não que eu tenha me acostumado com a arbitrariedade e sim porque quero exercitar meu “conquistado” direito de liberdade de expressão (o conquistado entre aspas não é porque acho que não tenha esse direito. É porque ele não foi conquistado no dia 17 de junho, já o tinha desde que nasci – insisto: expressão não é o mesmo que informação).

Hoje decidi me aventurar no mundo do cinema. Não fuja! Não vou falar de Encouraçado Potemkin ou de Ladrões de Bicicleta. Muito menos de Acossado. Quem sabe um dia fale de Corra Lola, corra.

Cinema nacional. É sobre isso que vou falar. Mais precisamente de uma superprodução nacional. Um filme de ação, cheio de efeitos especiais. Objeto raro em nosso país.

Somos acostumados a comédias e dramas. Filmes que não demandam um orçamento grandioso. Mas em outubro deste ano, mais precisamente no dia 30, estreia “Besouro”, um filme de ação com uma temática genuinamente brasileira. A história se baseia em fatos reais e mostra a luta de Besouro, nos anos de 1920, contra a opressão aos ex-escravos.

O orçamento do filme é de R$ 10 milhões. Bem maior do que o de “Meu nome não é Johnny”, por exemplo, que é de R$ 6 milhões, mas nada que se compare ao de superproduções estrangeiras: Matrix Reloaded gastou nada menos do que US$ 127 milhões. Mais ou menos R$ 254 milhões.

Posso parecer um bobo ao comparar os gastos de Besouro e Matrix, mas existe um motivo para isso: o coreógrafo de lutas dos dois filmes é o mesmo: Hiuen Chiu Ku, o mesmo de “O Tigre e o Dragão” e “Kill Bill”.

O elenco é composto por atores desconhecidos e capoeiristas do Recôncavo Baiano. A preparação deles foi feita por Fátima Toledo, responsável também pelos atores em “Tropa de Elite” e “Cidade de Deus”. O roteiro é de Patrícia Andrade, roteirista de “Os 2 filhos de Francisco”. A direção marca a estreia de um dos publicitários mais premiados do país, João Daniel Tikhomiroff (vou criar uma marca de vodka com esse nome), em longas.

Duas coisas são certas: o filme é diferente do que já foi produzido no Brasil e eu estarei em uma sala de cinema no dia 30 de outubro para conferir a história desse heroi brasileiro.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jornalista, uma nota de falecimento

Juro que este é o penúltimo texto sobre a decisão do STF. Já deve estar chato ler sobre o mesmo assunto. O artgo a seguir foi escrito por Guilherme Cardoso, leito do jornal "O Globo"


Faleceu na noite desta quarta-feira, dia 17 de junho de 2009, o Jornalista Profissional Brasileiro. O seu corpo, juntamente com o Diploma da profissão, será velado a partir de hoje nos sindicatos da categoria e em todas as redações de rádios, jornais, revistas e emissoras de televisão do Brasil.

Jornalista, sério, ético e competente, deixa órfãos milhões de brasileiros que viam nele o Quarto Poder, o defensor incansável de seus direitos civis. Brasileiro, nascido em Londres em 1º de junho de 1808, foi casado com Dona Colônia, já falecida; juntou-se ao DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) no Estado Novo, em 1930; manteve por 20 anos uma relação tempestuosa e proibida com a falecida Ditadura Militar de 64; na Constituinte de 1988, acreditou na Democracia, uniu-se a ela, sendo mantido até agora sob os interesses dos Donos da Mídia. Insatisfeito com este matrimônio, mantinha uma relação extraconjugal com a Esperança, que continua viva, embora bastante debilitada.

Nos últimos anos, ele, Jornalista, vinha enfrentando sérios problemas de saúde e credibilidade, causados pelas críticas à produção de diversas reportagens denuncistas, muitas verdadeiras, mas a maioria delas publicadas pelos seus patrões sem as devidas investigações que pudessem comprovar os fatos.

Com o fim do Diploma para o exercício da profissão, o Jornalista sério, ético e competente, morreu ontem, 17 de junho de 2009, às 20h14, de falência múltipla de órgãos, na mesa de cirurgia do Supremo Tribunal Federal.


Defenderei até o fim a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Quem for da mesma opinião que eu, ponha o nome no abaixo assinado para tentar reverter a situação:

terça-feira, 23 de junho de 2009

Para que o diploma?

O ministro Gilmar Mendes janta em um dos melhores restaurantes de Brasília, lhe servem uma comida estragada.
Quando chega em casa o ministro sente-se mal, vai ao hospital. Chegando lá, sem lhe perguntarem o que está sentindo, amputam-lhe uma perna. Revoltado, o ministro volta para casa e convoca a imprensa. Apenas um jornalista vai à casa do ministro conversar com ele, vê que vive em uma suntuosa mansão, percebe que a mulher do ministro que é muito linda tem um caso com o motorista, que o ministro tem obras de arte, carros importados que fazem jus ao seu cansativo trabalho no Supremo de julgar as causas de todo o Brasil. O repórter no entanto não dá a mínima atenção para a perna amputada do ministro, para a comida estragada ou para a história que o ministro tenta contar. Mais revoltado ainda, o ministro liga para um advogado e pede para entrar com uma ação contra o jornalista, o médico e o cozinheiro. A ação foi feita dentro de todos os parâmetros que a Justiça exige. Ao avaliar o mérito da questão o juiz não dá ganho de causa para o ministro, pois o cozinheiro que lhe fez a refeição estragada era advogado, o médico que lhe atendeu era açougueiro, o jornalista que foi à sua casa era um chefe de cozinha, o advogado que fez a ação era um jornalista e o juiz que julgou o mérito chama-se Marco Aurélio Mello.

Texto de um Jornalista

Defenderei até o fim a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Quem for da mesma opinião que eu, ponha o nome no abaixo assinado para tentar reverter a situação:

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Abaixo assinado contra decisão do STF

Defenderei até o fim a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Quem for da mesma opinião que eu, ponha o nome no abaixo assinado para tentar reverter a situação:


sábado, 20 de junho de 2009

Compilando opiniões

Depois de mais de um mês sem escrever neste blog, o Capiau Urbano sai do mato e volta ao contato com a civilização. Mais do que nunca é preciso cumprir meu papel de Jornalista, com "J" maísculo. Tenho consciência de que não sou tão lido, mas o pouco que sou já é importante. É preciso agir no momento em que minha profissão, sem exageros, minha vocação, está ameaçada.

Antes de escrever o meu texto, um apanhado de textos acerca da decisão do STF.

Uma decisão danosa

Por Alberto Dines

Difícil avaliar o que é mais danoso: a crítica do presidente Lula à imprensa por conta das revelações sobre o comportamento do senador José Sarney (PMDB-AP) ou a decisão do Supremo Tribunal de eliminar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. São casos diferentes, porém igualmente prejudiciais à fluência do processo informativo. E exibem a mesma tendência para o sofisma, a ilusão da lógica.

Fiquemos com a decisão do STF. Embora irreversível, não é necessariamente a mais correta, nem a mais eficaz. A maioria do plenário seguiu o voto do presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, que se aferrou à velha alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição.

Para derrubar esta argumentação basta um pequeno exercício estatístico: na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.

No seu relatório, o ministro Gilmar Mendes também tenta contestar a afirmação de que profissionais formados em jornalismo comportam-se de forma mais responsável e menos abusiva. Data vênia, o ministro-presidente da Suprema Corte está redondamente enganado: nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir.

É por isso que na Europa e Estados Unidos onde não existe a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, são as empresas jornalisticas que preferem os profissionais formados em jornalismo, justamente para não correrem o risco de serem processadas e punidas com pesadas indenizações em ações por danos morais.

O STF errou tanto no caso da derrubada total da Lei de Imprensa como no caso do diploma. E foi induzido pela mesma miopia.

Quero ser Juiz de Direito, Sem exigência de diploma!

Por Gadelha Neto

A decisão do STF, que dispensa o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, me abre um mundo novo: a possibilidade de ser Juiz de Direito e, quem sabe, até alçar voo rumo ao próprio Supremo.

Sim, porque a decisão deixou claro que a minha profissão não exige diploma porque não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício. Disse mais: que o direito à expressão fica garantido a todos com tal “martelada”.

Tampouco a respeitabilíssima profissão de advogado e o não menos respeitável exercício do cargo de juiz pressupõem qualquer conhecimento técnico ou científico. Portanto me avoco o direito (e, mesmo, a obrigação), já que assim está decidido, de defender a sociedade brasileira diante dos tribunais e na própria condução de julgamentos.

Além de ser alfabetizado e, portanto, apto a ler, entender, decorar e interpretar nossos códigos e leis, tenho 52 anos (o que me dá experiência de vida e discernimento sobre o certo e o errado) e estudei – durante o curso de jornalismo (!) – filosofia, direito, psicologia social, antropologia e ética – entre outras disciplinas tão importantes quanto culinária ou moda: redação em jornalismo, estética e comunicação de massa, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso etc.

Com essa bagagem e muita disposição, posso me dedicar aos estudos e concorrer às vagas de juiz pelo Brasil afora, em pé de igualdade com os colegas advogados. Também posso pagar e me dedicar aos cursos especializados em concursos públicos para o cargo, se eu julgar necessário. E não é justo que me exijam, em momento algum, qualquer diploma ao candidatar-me ao cargo.

Afinal, se a pena de um jornalista não pode causar mal à sociedade (!!?), a de um juiz também não teria este poder de fogo. As leis – e elas são justas em si – existem para serem cumpridas e cabe a um juiz, tão somente – usando da simplicidade do STF – seguir a “receita de bolo” descrita pelos nossos códigos. Assim sendo, um juiz não pode causar mal algum a ninguém, se seguir, estritamente, o que determina a lei. Concordamos?

Data venia, meus colegas advogados, por quem nutro o devido respeito (minha mãe, cunhada, irmão e sobrinha – por favor, compreendam) , quero ser juiz porque é um direito meu, assegurado pelo STF, e o salário de jornalista não está lá estas coisas.

Sim, nós temos diploma!

Por Marinella Souza

Depois da notícia que chocou o universo jornalístico na tarde de ontem, minha primeira reação foi de revolta. Passado o susto, ficou... a revolta. Se esta construção lhe parece estranha, eu explico.


Num primeiro momento revoltei-me com o fim da exigência do diploma, depois o que me revoltou foram os argumentos usados para justificar tal ato. Ok, o diploma não é garantia de excelência profissional e muitos dos profissionais que admiramos e respeitamos hoje não tinham o bendito registro, mas... ele se tornou obrigatório e as regras do jogo mudaram.


O jornalismo que era função opinativa passou a ter caráter informativo, o que mudou toda a estrutura de construção de uma notícia. Concordo que a maior escola é a prática (bem ditos sejam os meus estágios no meu processo de aprendizado), no entanto, se não soubesse o mínimo de teoria sobre o fazer jornalístico, não teria me mantido numa redação nem como aprendiz.


Disseram os defensores do projeto que a exigência do diploma fere os direitos da liberdade de opinião e informação. A meu ver, essas nunca foram tolhidas, afinal, as seções opinativas jamais morreram (nem devem morrer posto que fazem o elo entre o indivíduo e o mundo que o cerca), em especial nos dias de hoje em que a interatividade é a tônica de todas as profissões.


Se qualquer cidadão vai poder exercer a profissão de jornalista, então, que entendam aquilo que os ministros parecem não compreender: as principais regras do jornalismo são a objetividade e a IMPARCIALIDADE. Ou seja, não exigir o diploma fere um princípio básico da profissão e não o direito de liberdade de expressão. Textos opinativos, escritos em primeira pessoa,como este que você está lendo, têm seus espaços garantidos nas publicações impressas onde os autores assinam artigos e/ou crônicas como colaboradores. Logo, esse argumento é falho.


Quanto ao fato de comparar jornalista à artista, bem... acho que dispensa comentários. Penso ser clara a diferença entre uma coisa e outra. Será que o Supremo Tribunal Federal acredita que a Fátima Bernardes vai estrelar a próxima novela das oito fazendo par romântico com o William Bonner?


Apesar de toda a revolta, acredito que esse não será o fim das faculdades nem do diploma. Creio que as faculdades terão que se repensar e o diploma vai começar a ser um diferencial para o profissional. Prefiro (e preciso) acreditar que os donos de empresas jornalísticas de qualidade não vão colocar o bolso acima da idoneidade de seus veículos e, sendo assim, não se arriscarão a colocar seus jornais, revistas, rádios, sites e tv’s nas mãos de pessoas despreparadas.


Ok, ok, ok. Confesso meu romantismo, mas eu ainda faço parte daquele seleto grupo de pessoas que ainda acredita que o bem vence o mal no final e que tudo tem o lado bom. Talvez isso seja culpa dos inúmeros desenhos animados da década de 80 que assisti ou às incansáveis vezes em que li (e assisti) a história de Pollyana, a órfazinha loira que transformou a vida das pessoas no pequeno povoado em que vivia sua amarga tia.

Voltando à realidade e dando certa dose de realismo ao meu discurso, admito que as faculdades têm as suas falhas e que nem sempre formam profissionais de qualidade, mas não é justo que as regras do jogo sejam alteradas tão drasticamente por conta de maus jogadores. Se for para ser assim, então, acaba logo com o Congresso!