terça-feira, 31 de março de 2009

Brasil nada na marolinha

Recentemente tive acesso a um texto super divertido e didático que explica as razões da crise financeira internacional. Crise financeira americana para leigos foi escrito no blog O Escriba.

A crise financeira internacional (costumeiramente grafada com iniciais maiúsculas para dar um ar mais imponente) é popularmente conhecida em nosso país como “marolinha” – singelo nome dado pelo presidente Lula. Apesar do carinhoso nome, ela tem assustado muitas pessoas e empresas, gerando grande alarde. É nessa hora que o jeitinho brasileiro (a insuportável malandragem) deixa de ser um aspecto cultural negativo e se torna um importante mecanismo para driblar o problema mundial.

Criatividade. Essa é a palavra de ordem para amenizar os efeitos da crise internacional e o brasileiro é um povo criativo. Um exemplo disso (na verdade, 40 exemplos) são as moedas paralelas que circulam em pequenas e longínquas localidades de nosso país. A reportagem publicada pela revista Época sobre o assunto mostrou que soluções simples podem ajudar a aquecer a economia local, gerar empregos e, dessa forma, combater a marolinha. Como é possível? A resposta é simples: a população se compromete e conscientiza, colhendo assim os benefícios. As moedas paralelas ajudam o capital a permanecer mais tempo em determinado local, possibilitando os resultados desejados.

A busca por soluções traz alternativas impensáveis: volto ao caso do salão que cobra para catar piolho. Para os interessados no serviço, o valor é R$ 55 a hora. Aproveito para fazer minha publicidade: Salão Mãozinha, aquele que corta a unha da mão esquerda dos canhotos e a direita dos destros com o jeitinho da mamãe.

É claro que a crise teve efeitos no Brasil, mas eles parecem ter sidos mais amenos em nosso país, quer seja pelas atitudes da população, quer seja por medidas do governo ou apenas sorte. Talvez seja uma soma de tudo isso mais o pensamento positivo brasileiro – o famoso “se Deus quiser vai melhorar”.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Recortes

Hoje decidi falar um pouco sobre alguns assuntos distintos. Algumas notícias que chamaram minha atenção.

Fuga da crise

Antes da primeira nota uma rápida lembrança: achei graça quando nos estudos de história a professora dizia que as pessoas em determinada época conversavam uma catando piolho da outra. Isso é apenas um flash em minha memória estudantil. Ainda não enveredei para a senda das drogas alucinógenas: falo dos piolhos da história para chegar aos piolhos atuais. Qual não foi minha surpresa ao ver a notícia de que uma advogada criou serviço especializado em catar piolhos no Rio de Janeiro. Tudo bem, em tempos de crise é importante inovar para driblar a falta de dinheiro. Eu mesmo acabei de pensar em um negócio e vou lançá-lo em primeira mão no Capiau Urbano: corto unha da mão esquerda de canhotos e da mão direita de destros – preços a combinar.

Mundo de pernas para o ar


Nada é mais digno de nota nesta nublada manhã de sábado (ao menos no noticiário esportivo – o único que li até agora) do que a classificação para o primeiro Grande Prêmio de Fórmula 1 do ano: o atual campeão Lewis Hamilton larga simplesmente da última posição. Uma explicação razoável para o fato: quebrou o câmbio, ponto. O bicampeão Fernando Alonso larga apenas em décimo. O campeão de 2007, Kimmi Raikkonen, larga em sétimo. Felipe Massa, vice em 2008, larga em sexto.
Tudo culpa das novas regras da categoria. Os grandes nomes da modalidade ficaram para trás, logo alguma zebra aconteceu. E ela foi brava. Rubens Barrichello larga na segunda posição, fazendo dobradinha com seu companheiro de equipe, a Brawn GP, Jenson Button. Rubinho afirmou que esse tem tudo para ser o melhor ano de sua carreira. Vale lembrar que o piloto já foi vice há alguns anos. Será que ele realmente vai se superar? Para isso teria que ser campeão.

Exemplo


Pensar em jogador de futebol é pensar em um cara que não teve chance de estudar, fala mal e se bobear não deve nem ler direito. Pelo menos esse é o estereótipo. Nos últimos anos, contudo, tenho notado uma significativa melhora na expressão oral de nossos boleiros, principalmente dos que se aventuram em campos europeus.

Uma notícia saltou aos meus olhos e achei por bem citá-la e comentá-la aqui no blog:
Além de camisa 9 e goleador, Washington é dono de livraria e amante da boa leitura.

O empreendimento surgiu quando o atacante enfrentou problemas cardíacos e não sabia se voltaria a jogar futebol. Independente dos motivos que o levaram a isso, a iniciativa é louvável e deve ser aplaudida de pé: nosso país precisa ler mais para se tornar mais crítico e mudar sua realidade. No que diz respeito ao jogador, é importante dizer que Washington é um que quando se aposentar não passará por perrengues como acontece com vários jogadores que não pensam que sua carreira é curta, comparando-se com as demais carreiras profissionais e não planejam o futuro. O bonequinho do “O Globo” aplaudiu de pé.

Para encerrar uma ótima propaganda de incentivo à leitura:

segunda-feira, 23 de março de 2009

Santo do pau oco

Certa feita ouvi dizer que a expressão “santo do pau oco” surgiu quando imagens sacras eram usadas para esconder barras de ouro que eram contrabandeadas. Como se pode notar, o uso de expedientes marotos para a prática criminosa não é recente e faz com que autoridades e criminosos estejam em constante processo de aprimoramento.

Quero chegar a uma notícia que li na última sexta-feira: Polícia espanhola apreende jogo de jantar com porcelana de cocaína. A engenhosidade da mente criminosa surpreende (até a página 20 – leia a matéria... a polícia chegou até a carga por conta da diferença de peso da encomenda e do peso declarado). De qualquer forma, vários pratos de cocaína devem ter sido servidos nos jantares europeus até esse furo.

Mais uma vez o ponto crítico: começo a escrever sobre um assunto que me chamou a atenção e em determinado ponto não sei se falo de A ou de B. A dúvida de hoje é falar sobre a relação consumo e tráfico de drogas ou sobre as tecnologias que surgem no combate ao crime (no caso seria sobre as guerras que iria falar – queria ter um 0800 à minha disposição para fazer um “Você decide”). Como assisti Tropa de Elite na semana passada, vou falar da relação consumo, tráfico e violência.

O vício em si eu não vou levar em conta (já falei sobre ele em meu primeiro texto). O consumo é a bola da vez. Ele é a ponta da cadeia (praticamente o vegetal na ponta da cadeia alimentar). Sem ele o resto não existiria. O consumo de qualquer produto ilegal leva ao surgimento de um mercado ilegal. O tráfico de drogas é um deles e por ser contra a lei é combatido pelo Estado através de sua força repressora, a polícia.

A questão se torna física. Leis de Newton: ação e reação. A toda ação corresponde uma reação de igual intensidade e direção, porém em sentido contrário. O tráfico reage. A polícia aumenta a repressão. O tráfico reage. Reticências. Assim chegamos às armas de uso exclusivo das forças armadas no alto dos morros (pulei o detalhe do tráfico de armas e corrupção para que o armamento se torne acessível).

A disputa que ficava restrita aos locais do tráfico se expandem (continua no mesmo lugar, as armas é que alcançam mais longe e acaba sobrando para quem não tem nada com o assunto). Ah, é, o consumo. Se ele não existisse, o tráfico não existiria (afinal, quem iria querer ser criminoso para ficar com mercadoria parada?), não haveria o dinheiro para que bandidos se armassem para guerra e balas perdidas chegariam no máximo até na esquina.

Ignorando as relações interpessoais e levando em conta apenas a relação de classes, as balas perdidas, em geral, atingem quem a disparou – a classe média. Foi um chavão e beirou o sensacionalismo, mas tudo bem. O jornalismo marrom está liberado para tentar transformar a sociedade.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Compartilhar é a solução

Hoje decidi escrever apenas mais um dos meus devaneios. Na verdade é uma pequena teoria que formulei sobre uma possível razão da crise moral, ou como as pessoas preferem chamar (e eu considero um eufemismo), comportamento moderno.

Não vou ficar enumerando os comportamentos modernos. A consciência de cada um que tiver acesso ao que escrevo será responsável por isso. Sempre sabemos o que é certo ou errado. Quando a dúvida bater à porta, a solução é pensar no que era “feio” e no que era “bonito” fazer quando éramos crianças. Não tem erro. Lembro-me claramente de minha avó falando que era coisa “feia” quando víamos, no carnaval, os homens urinando no muro do outro lado da rua, ou pior ainda, quando víamos os foliões consumindo algum tipo de droga: em geral era éter.

Vamos à teoria: o mundo está “feio” porque as pessoas têm medo de compartilhar suas ideias. Formulei essa hipótese após várias conversas com os mais variados tipos e ouvir, muitas vezes, a mesma idéia, o mesmo modo de vida – um modo careta de ser. O problema é que os que vivem assim acabam se fechando em si mesmos para não entrar em conflito com o status quo (é tão intelectual usar expressões em latim), quando, na realidade, o número dos que pensam da mesma forma é maior do que se imagina.

Outro fator desencadeante da apatia (já estou eu sentado em meu rabo outra vez) dessas pessoas é o velho e péssimo hábito de pensar que não vai dar certo, que uma andorinha só não faz verão ou que ninguém muda o mundo sozinho. É preciso ter em mente que muda sim: há 2009 anos nasceu um cara que mudou. Tudo bem, era “o cara”, mas é possível. Basta termos vontade sincera e coragem para enfrentar alguns rótulos e pequenos preconceitos.

Para ilustrar essa postagem, coloco aqui uma música da qual gosto muito. Vejo nela uma metáfora para o que falei. O número de pessoas dispostas pode ser pouco, mas está aumentando. A música é Les Sans-papier do musical Notre Dame de Paris.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O parquinho está fechado

Os países que fazem parte do parquinho tecnológico mundial não gostam que aqueles que estão de fora tentem entrar. Temos visto nos últimos dias uma dessas brincadeiras internacionais: as crianças asiáticas e o dono do playground, os Estados Unidos, não querem deixar a Coreia do Norte fazer parte do clubinho de países que têm satélites no espaço. Se não sabe brincar, saia do parquinho. Essa é a frase mais dita ao governo comunista de Pyongyang (sempre lembro de pingue-pongue quando vejo o nome dele).

O eu impede a Coreia do Norte de realizar tranquilamente seu pacífico lançamento de um satélite de comunicação é o medo de a manobra ocultar testes de lançamentos de mísseis de longo alcance (outro brinquedo que somente quem está no parquinho pode possuir). Para aumentar a tensão, americanos e sul-coreanos fazem sua brincadeira de soldadinho anual próximos ao quintal comunista e isso gera um grande desconforto para os norte-coreanos que também gostam de brincar. Na brincadeira de 2009 eles fingem que estão brigando com o regime de Pyongyang (de mentirinha eles dão uma surra nos “coleguinhas”) para saber como agir se eles brigarem de verdade.

O receio com a entrada da Coreia do Norte no parquinho é o hábito que ela tem de avacalhar a brincadeira: em 1998 ela testou mísseis de longo alcance, o que fez com eu Japão e Estados Unidos implantassem escudos antimísseis na base norte-americana que fica em território japonês (é por isso que eles se acham os donos do parquinho). Desta vez eles juram que aprenderam a brincar e informaram aos organismos internacionais competentes para a segurança marítima e aérea sua intenção de voltar ao playground.

Tóquio e Seul acreditam que o lançamento viola a resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU. Os dois países afirmam que não há diferença entre o lançamento do satélite e o teste de mísseis de longo alcance.

Não quero que pareça que defendo a Coreia do Norte, mas eu questiono sempre o “direito” dos Estados Unidos de fiscalizarem o parquinho. Para mim eles não sabem brincar também, tanto é que inventaram que o Iraque possuía brinquedos impróprios para a idade deles e tomaram conta do bercinho iraquiano.

O egoísmo quanto à entrada de novas crianças no parquinho acontece porque quem está lá quer continuar fazendo inveja em quem está fora e ainda consegue roubar os doces da boca dos que ficam olhando abestalhados as crianças de dentro brincarem.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia

Bonitas as palavras, não? Ambas têm o mesmo significado. É o medo da sexta-feira 13. Hoje, é uma sexta-feira. Mês passado tivemos outra. Se eu tivesse um gato preto em casa eu iria para debaixo de uma escada ficar acariciando o bichano. Pena que eu não tenho, assim só posso imaginar a situação.

O mito em torno da data surgiu por várias razões. Acredita-se que Jesus teria sido crucificado dia 13. Alguns célebres desastres aconteceram nesse dia. Os templários foram declarados ilegais em uma sexta-feira dessas.

Minha opinião sobre isso: inicialmente um monte de balelas. Por que inicialmente? Porque eu acredito na força do pensamento (não, não sou um leitor de “O Segredo”, mas sei do que se trata). Minha crença é baseada na ideia de que os pensamentos geram vibrações que atraem outras semelhantes. Dessa forma, ao acreditar que um dia traz azar, isso acaba acontecendo. Como eu não creio nisso, nunca me aconteceu nada e nem vai acontecer. É uma mera superstição. Tão tola quanto simpatias. Amarrar imagem de santo de cabeça para baixo, pendendo sob um balde cheio de sal grosso do mar Mediterrâneo, produzido na Grécia por descendentes de Afrodite não vai arrumar marido para ninguém.

Fica minha dica para nada de ruim acontecer na sexta-feira 13 e ainda conseguir arrumar marido: viva a vida real! E se mesmo assim não conseguir um tente a simpatia. Refiro-me a ser simpático mesmo. Na pior das hipóteses o mundo será um pouco mais cortês.

Nota: nasci na família errada

Estava eu lendo as últimas notícias na internet (como de costume) quando me deparei com a notícia de que o diretor de Recurso Humanos do Senado (mais uma vez o Senado) anunciou a devolução de seu apartamento funcional. A decisão foi tomada após acusação do jornal “Correio Braziliense” de que o imóvel não seria usado por João Carlos Zoghbi, o diretor em questão, e sim por seus filhos. Segundo o jornal, Zoghbi moraria em uma luxuosa casa que fica no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. A propriedade teria sido comprada em 1992 por um de seus filhos que era, na época, menor de idade e desempregado.

Edmar Moreira, deputado federal (por enquanto) não declarou o castelo Monalisa porque havia doado o cassino, digo mansão, para um de seus filhos. Agaciel Maia, ex-diretor do Senado, vivia em uma mansão avaliada em R$ 5 milhões que era registrada em nome de seu irmão, o deputado João Maia.

Percebi que nasci na família errada. Meu irmão até hoje só me emprestou dinheiro para eu poder comprar meu carro. Minha irmã, neca. Meus pais costumavam me dar mesada. Hoje é um auxílio desemprego de vez em quando. Por que eles não me dão milhões, super carros e mansões exuberantes? O jeito é ter logo um filho e esperar ele crescer para ver se ainda dou sorte.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Brothers deixam a hidromassagem

O título da postagem é o mesmo título de uma matéria do site Globo.com. Não era matéria (matéria?!) de capa, pelo menos. Mas outras duas reportagens sobre o BBB estavam na capa. Por mera curiosidade abri uma delas e percebi que existe um plantão de “notícias” do Big Brother. Não é sobre sair de banheiras que vou falar. Falarei sobre um dos pontos altos da semana: a eliminação. Ontem foi noite de paredão (preferia o martelo que quebrava o colar dos participantes do No Limite). Não sei quem e Maíra formavam o paredão (me reservei o direito de não procurar para ver quem era o outro, ou outra, Brother porque isso com certeza não vai mudar minha vida). Sei que a Maíra foi eliminada. Isso deve ter sido um alívio para ela, afinal ela se considerava rejeitada na casa.

Terminado o primeiro e gigantesco parágrafo do texto me bateu uma dúvida: escrevo sobre a pífia programação da TV brasileira ou sobre as celebridades instantâneas? A idéia inicial era falar sobre a grade de programas, mas resolvi que existe outro pano de fundo para falar disso (Casos de Família, por exemplo) e não há nada melhor do que o Big Brother para chafurdar as celebridades instantâneas.

O meu (des)interesse sobre o assunto é antigo. Razoavelmente antigo. O exemplo que vou usar é de 2005, mas desde que surgiu a Casa dos Artistas e o BBB que eu brindo com essas ideias (sem acento depois da reforma ortográfica – devagar eu aprendo a escrever de novo). Pois bem, há quatro anos eu fazia um trabalho sobre celebridades instantâneas. Não me recordo em qual edição do BBB estávamos àquela época, mas fiz umas contas que eram mais ou menos assim (dados atualizados para 2009): estamos na 9a edição. Vamos chutar uma média de 14 participantes por edição. Nove vezes 14 é igual a 126 participantes. 126 pessoas que tiveram seus 15 minutos de fama (por nada, diga-se de passagem) e que caíram no esquecimento. Alguma exceções existem, claro. Grazi, Sabrina Sato, o Bam-Bam (ele ainda está no Didi?). A questão é: quem se lembra do Amendoim do No Limite? Eu lembro. Foi o único Reality Show que eu acompanhei. Lembro-me dele pelo episódio em que os participantes queriam pegar uma vaca que estava solta perto de um dos acampamentos para que ela fosse ordenhada e o Amendoim disse que não adiantaria, pois ela não tinha bezerro mamando.

Depois do monte de falácias para dormitar bovinos (nenhuma relação com a vaca acima citada) , chego ao momento de proferir mais um de meus achismos (pensei em escrever “célebres achismos”, mas isso seria egocentrismo de mais até mesmo para mim – pelo menos eu o que diriam meus amigos, porque eu não acho que tenho essa característica). Mais uma vez o problema está nos valores da sociedade. Valoriza-se demais quem é exposto na mídia, não importa a razão. É uma idolatria descontrolada e descabida. Não que eu ache que as pessoas não possam ser valorizadas. Muito pelo contrário, penso que elas devam ser valorizadas sim, contudo, pelas razões corretas. Idolatremos o professor que ganha pouco e mesmo assim faz sua parte para educar nosso país. Idolatremos o cientista que não tem os recursos adequados e batalha diariamente na busca de soluções para doenças. Idolatremos o jornalista desempregado que escreve todos os dias (está certo, já falhei dois) em seu blog para dar sua parcela de contribuição para a formação de uma sociedade mais crítica.

Não resisti ao egocentrismo. Mas quem escreveu não fui eu, foi meu eu-lírico.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O castelo do "capitão"

Edmar Moreira, o deputado do castelo, entregou hoje a sua defesa à corregedoria da Câmara. Era o último dia para que ele fizesse isso. O conteúdo da defesa, contudo, não foi divulgado já que o processo corre em sigilo. Sigilo: essa é uma especialidade do deputado. Afinal, durante anos o castelo Monalisa ficou bem escondido no interior de Minas Gerias.

Edmar Moreira, deputado federal de Minas Gerais, atualmente sem partido, ficou conhecido como “o deputado do castelo” desde o início de fevereiro. Para mim, desde que eu era menino novo, lá em São João Nepomuceno, ele é o capitão Edmar e tem um castelo. Há uns doze anos, mais ou menos, vi o castelo. Eu estava em uma colônia de férias que me levara à uma propriedade rural em Carlos Alves, distrito de São João. Naquela época, achei o máximo. Orgulhei-me do castelo que fora construído em minha cidade. O “capitão” foi um herói de minha infância. Santa inocência de criança (eis aqui um bom assunto para uma próxima postagem).

Retomando o assunto: há dez anos me mudei de minha cidade natal. Não me lembrava da existência do castelo. Vez ou outra lembrava do deputado porque a irmã dele é a prefeita da cidade, mas o castelo ficou perdido em minhas lembranças de infância. Só fui lembrar da construção quando o Brasil todo ficou sabendo que ele existia (se eu tivesse lembrado antes, poderia ter sugerido que ele fizesse parte da votação das Sete Maravilhas do Mundo Moderno).

O ruim de envelhecer é que o mundo fica mais feio e os contos de fadas se dissolvem no ar: o meu herói de infância não existia mais. Se bem que ele nunca existiu, eu que via o mundo de uma maneira diferente. Ter lembrado do castelo, tantos anos depois, me levou a pensar que deve ser fácil ser um criminoso de colarinho branco. Esconder um trambolho (imóvel, diga-se de passagem) daqueles não deve ser fácil. Se bem que já era de conhecimento de muitos políticos a existência do castelo. Foi veiculado na mídia que até mesmo um ex-presidente da república, Itamar Franco, teria visitado o local. Então, por que só agora a bomba explodiu?

A resposta é simples: Edmar Moreira passou a ocupar o cargo de corregedor da câmara e alguém não gostou e resolveu jogar a merda (pensei em usar outra palavra, mas ia descaracterizar o ditado. Se bem que o blog é meu e eu uso o vocabulário que quiser) no ventilador.

Quero estar errado, mas fico imaginando que devam existir outros castelos Monalisa pelo Brasil, só esperando que alguém faça uso de seu saquinho fecal para mostrar esses “segredos” para o resto do país.

domingo, 8 de março de 2009

Ano 2009 da era cristã

Aviso importante: o texto a seguir é um apanhado caótico de idéias e pode não fazer muito sentido. Se bem que não faz sentido precisar defender as mulheres nos dias de hoje. Era para ser óbvio o seu valor. Para mim, militar, ou mesmo escrever em defesa delas é machista (posso ser crucificado por isso).

O ano é 2009 da era cristã. A sociedade é moderna. Tabus foram quebrados e ainda são todos os dias. A mentalidade, contudo, não evoluiu da mesma forma em todos os sentidos. Cerca de 5500 anos após o surgimento da escrita, a relação entre homem e mulher se mantém primitiva. Somos (ambos os gêneros) homens das cavernas que arrastam as mulheres pelos cabelos. Somos machistas.

Machistas e hipócritas. Precisamos de um dia internacional das mulheres para lembrar o valor delas? Para mim não, elas merecem 365 dias por ano dedicados a elas. Pena minha opinião não ser partilhada por todos

Não é meu objetivo entrar em discussões religiosas, mas, segundo meu ponto de vista (que pode ser míope – acredito que não seja), é inaceitável nos dias de hoje algumas religiões subjugarem a mulher. O mesmo vale para as culturas que fazem isso.

Cultura, esse é o ponto. É preciso que mudemos a nossa cultura para que a equidade seja realmente alcançada. Não vou falar de equiparação salarial e tudo mais. Sobre isso outros tantos jornalistas já vão falar. Vou falar sobre a diferença de valores.

Meninos são ensinados a sair de casa e conseguir o maior número possível de meninas. Meninas são ensinadas a não sair de casa, mas se saírem, são ensinadas a não dar bola para os meninos. É nesse ponto que começa o machismo. Não pense que eu quero que as meninas passem a ter a educação dos meninos. Muito pelo contrário. Quero que os meninos, os homens, aprendam o valor de uma mulher. O valor de uma companhia. O valor de um sentimento. Quero que o homem (espécie) aprenda a valorizar o que tem de melhor: sua capacidade de raciocinar e com isso passe a agir como um ser pensante e domine seus instintos. Quero que o homem aprenda a enxergar na delicadeza feminina, na sutileza da mulher um caminho para viver em harmonia.

Mais um pensamento solto: estou com a sensação de que o jornalismo ficou meio de lado nesse blog e que o espaço está sendo usado para a propagação de idéias para mudar a sociedade. Se bem que é para isso que eu acho que o jornalismo existe.

sábado, 7 de março de 2009

Recital de poesia contemporânea?!

Antes de mais nada é preciso pedir desculpas pela falta de um texto ontem. Viajei e fiquei sem acesso à internet. Estou de volta e pronto para continuar as postagens diárias.

Certa feita eu confraternizava com meus amigos quando uma questão nos intrigou: o legado musical que nossa geração deixará para as que nos sucederão. De nossa confabulação nasceu o vídeo que ilustra essa postagem. Assista-o.


video

Não é de hoje que eu penso nessa situação, mas ao ler um texto que falava sobre o assunto, fiquei instigado a escrever e dar meu pitaco (opinião é para especialistas e de música eu entendo tanto quanto de motor de avião – mas estou certo de que ouço boa música). A música e a modernidade, escrito pela jornalista Marinella Souza exprime bem a minha forma de ver, mas é sempre bom falar também para poder engrossar o coro e tentar fazer a diferença.

Comparando-se a produção musical da década atual com a das décadas passadas, ouso dizer que vivemos um período morto. Nada que valha a pena ouvir foi produzido. É uma posição radical. Existem exceções, claro. Mas de uma maneira geral, criamos apenas músicas de balada, para balançar o corpo. Citando o texto de Marinella “Não se pode negar, no entanto, que a batida moderninha é muito eficiente quando o propósito único do indivíduo é a diversão: na balada, para curtir com os amigos nada melhor do que um ritmo que embale de forma sensual e envolvente os corpos ávidos por uma interatividade com o sexo oposto”.

Não entra em minha cabeça, no entanto como o sujeito consegue ouvir um “batidão” enquanto está no trânsito, por exemplo. O momento já é caótico por si só. Com as batidas a situação consegue ficar ainda pior. Por que não aproveitar o momento e ouvir músicas que façam pensar? Porque elas estão em extinção. As composições que se encaixam nessa categoria são antigas e é preciso vestir a camisa “retrô” para ouvi-las.

A questão em que devemos pensar não é a qualidade dos artistas. Muitos dos que produziram maravilhas musicais ainda estão em atividade e talentos não deixaram de nascer. O problema é a falta de matéria prima para a criação. Vivemos em um país sem grandes conflitos ideológicos como os do tempo da ditadura. Um país que caiu na rotina da falcatrua. Não prego a volta dos anos de chumbo para que voltemos a agir de maneira inteligente. Quero mesmo é que as pessoas saiam do estado de apatia em que se encontram e comecem a questionar nossa realidade, como era feito há poucas décadas.

Empunhe suas armas. Use o que tem de melhor para fazer um futuro do qual se orgulhe de ter construído. Caso precise de uma injeção de ânimo, um pouco de MPB pode ajudar (e a mensagem ainda vale como hino contra a música ruim). Apesar de você, de Chico Buarque:




Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão.

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia.
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar.

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro.

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a fineza
de desinventar.
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar.

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria.

Você vai se amargar
Vendo o dia raiar
Sem lhe pedir licença.

E eu vou morrer de rir
E esse dia há de vir
antes do que você pensa.
Apesar de você

(Coro3)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia.

Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4)Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiáÂ

quinta-feira, 5 de março de 2009

No país do futebol...

Todos estamos acostumados com os feriados nacionais que acontecem nos dias de jogos da Seleção, principalmente quando o jogo é oficial. O País para para ver o melhor time (tem jornalista que é cego) do mundo. A novidade dessa semana foi o decreto de ponto facultativo do meio dia de ontem até o meio dia de hoje na cidade de Ivinhema, no interior do Mato Grosso do Sul. O motivo? O jogo entre o time local e o Flamengo válido pela Copa do Brasil, que aconteceu na capital do estado, Campo Grande.

Todos queriam ver o histórico jogo do modesto time contra um tetra campeão (sim, tetra – é o que consideram a CBF e todos os não-flamenguistas) brasileiro e como o jogo foi realizado na capital, nada mais justo do que possibilitar ao ivinhemenses (será que é assim mesmo?) a chance de torcer pelo seu time, afinal, o ano acabou de começar, já foram dois dias úteis e era preciso um descanso para a dura rotina de trabalho.

Como o que interessa no futebol é o resultado e por mais que eu tenha torcido contra, o resultado final foi uma vitória do Flamengo por 5 a 0 sobre o Ivinhema. Com o resultado o time do Rio se classificou para a próxima fase da competição sem a necessidade do jogo de volta.


Não muito longe dali, um outro fato muito importante para a história de nosso país acontecia: o atacante Ronaldo Fenômeno fazia sua estréia pelo Corinthians, que marcou mais um retorno do jogador ao futebol após um ano afastado dos gramados em decorrência de uma lesão no joelho esquerdo. A badalação foi tamanha que antes de o jogo começar o técnico da equipe paulista não conseguiu chegar ao banco de reservas devido à maciça presença de jornalistas tentando uma declaração do jogador. Estava acompanhando o jogo para poder dar meu pitaco sobre a volta do pentacampeão, mas após um pênalti mandraque que deu a liderança no marcador para o Corinthians, fui dormir. Afinal, pior do que ver Flamengo ganhar, é ver o Corinthians. Deixo a análise sobre o desempenho do jogador para alguém gabaritado. O time do Parque São Jorge também se classificou sem a necessidade de um segundo confronto ao derrotar o Itumbiara-GO por 2 a 0.


Por que falei sobre esses dois jogos? Porque eles foram o que de mais importante aconteceu para nosso país ontem. Isso foi muito mais importante do que a eleição do ex-presidente Fernando Collor de Mello para a presidência da Comissão de Serviços de Infraestrutura. Tinha cogitado falar sobre esse assunto, mas bandalheira na política acontece todo dia, mas ponto facultativo para jogo de futebol é a primeira vez eu vejo e retorno de Ronaldo aos gramados umas duas ou três.

Se a rodada da Copa do Brasil tiver importância, os resultado estão aqui. Mas o que vale para mim é a Libertadores. Como a imparcialidade passou longe daqui hoje, um grito de apoio para finalizar: Vamo, vamo Tricolor! Vamo, vamo Tricolor! Grêmio!