segunda-feira, 16 de março de 2009

O parquinho está fechado

Os países que fazem parte do parquinho tecnológico mundial não gostam que aqueles que estão de fora tentem entrar. Temos visto nos últimos dias uma dessas brincadeiras internacionais: as crianças asiáticas e o dono do playground, os Estados Unidos, não querem deixar a Coreia do Norte fazer parte do clubinho de países que têm satélites no espaço. Se não sabe brincar, saia do parquinho. Essa é a frase mais dita ao governo comunista de Pyongyang (sempre lembro de pingue-pongue quando vejo o nome dele).

O eu impede a Coreia do Norte de realizar tranquilamente seu pacífico lançamento de um satélite de comunicação é o medo de a manobra ocultar testes de lançamentos de mísseis de longo alcance (outro brinquedo que somente quem está no parquinho pode possuir). Para aumentar a tensão, americanos e sul-coreanos fazem sua brincadeira de soldadinho anual próximos ao quintal comunista e isso gera um grande desconforto para os norte-coreanos que também gostam de brincar. Na brincadeira de 2009 eles fingem que estão brigando com o regime de Pyongyang (de mentirinha eles dão uma surra nos “coleguinhas”) para saber como agir se eles brigarem de verdade.

O receio com a entrada da Coreia do Norte no parquinho é o hábito que ela tem de avacalhar a brincadeira: em 1998 ela testou mísseis de longo alcance, o que fez com eu Japão e Estados Unidos implantassem escudos antimísseis na base norte-americana que fica em território japonês (é por isso que eles se acham os donos do parquinho). Desta vez eles juram que aprenderam a brincar e informaram aos organismos internacionais competentes para a segurança marítima e aérea sua intenção de voltar ao playground.

Tóquio e Seul acreditam que o lançamento viola a resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU. Os dois países afirmam que não há diferença entre o lançamento do satélite e o teste de mísseis de longo alcance.

Não quero que pareça que defendo a Coreia do Norte, mas eu questiono sempre o “direito” dos Estados Unidos de fiscalizarem o parquinho. Para mim eles não sabem brincar também, tanto é que inventaram que o Iraque possuía brinquedos impróprios para a idade deles e tomaram conta do bercinho iraquiano.

O egoísmo quanto à entrada de novas crianças no parquinho acontece porque quem está lá quer continuar fazendo inveja em quem está fora e ainda consegue roubar os doces da boca dos que ficam olhando abestalhados as crianças de dentro brincarem.

3 comentários:

  1. "Aversão a tudo e a todos que possam abalar nossa hegemonia", está é a norma e a lei.
    Bacana sua colocação, utilizando o "parquinho" de forma sutil, porém real e bastante esclarecedora.
    Forte abraço, Lucas!
    Adicionei teu blog, para acompanhar suas atualizações!

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  2. Continuando a sua analogia com crianças e seus brinquedos...
    É aquela velha história do coleguinha rico que tem um brinquedo importado e não quer emprestar de jeito nenhum para o outro coleguinha pobre. No grupinho do menino rico só entra os igualmente ricos e donos de brinquedinhos importados também.
    Infelizmente, os EUA vão continuar sendo os "donos da banca" por muito tempo até que surja uma nação corajosa e tente reverter o quadro sem precisar jogar aviões dentro de prédios enoooormes.

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