terça-feira, 3 de março de 2009

Ontem almocei (e jantei!) bacalhau

Quando crianças, esperamos, sempre e com ansiedade, a chegada da Páscoa. Parece até que o domingo é um prêmio pela sexta-feira da Paixão – já que nesse dia éramos obrigados a comer bacalhau. Algumas vezes o calvário era ainda maior, já que muitos também comiam o peixe na quarta-feira de cinzas.

No último Natal tivemos bacalhau na ceia. É claro que houve a preocupação de preparar um segundo prato já que o principal não agradava ao paladar de todos, principalmente o meu. Qual não foi a surpresa quando comi a bacalhoada e gostei.

Ontem, uma segunda-feira como outra qualquer, tivemos o bendito cardápio no almoço (estava na promoção, ainda não nado em rios de dinheiro). Senão bastasse, comi o que sobrou à noite. Fiquei pensando nas coisas que não gostamos quando somos mais novos e depois passamos a gostar. Tomate, não. Couve?! Nem pensar – hoje adoro. Panetone. Passas (continuo não gostando). Ler. Noticiário. MPB.

São três as conclusões possíveis: ou não sabemos o que é bom pela falta de experiência; ou somos verdadeiras metamorfoses ambulantes (Toca Raul!!); ou apenas não estamos preparados para certos sabores (não me refiro somente à comida) em determinada fase da vida.

Prefiro pensar que somos a soma disso tudo: a falta de experiência faz com que sejamos despreparados para experimentar o mundo e com isso acabamos por mudar de opinião de maneira constante, à medida que nos tornamos capazes de assimilar por completo tudo o que nos é oferecido, até que formemos nossa identidade.

Tradução: quando era criança eu preferia o “Xu, xu, xu. Xá, xá, xá” a “Cálice”, de Chico Buarque. Hoje essa maravilha musical é uma de minhas músicas preferidas porque agora sou capaz de compreender tudo o eu existe por trás de cada palavra.

Para fechar a idéia e ainda explorar as potencialidades hipermidiáticas de um blog, coloco aqui a música "Sou uma criança, não entendo nada” cantada por Oswaldo Montenegro e composta por Erasmo Carlos.




Para quem não quiser ouvir, segue a letra:

Antigamente quando eu me excedia
Ou fazia alguma coisa errada
Naturalmente minha mãe dizia:
"Ele é uma criança, não entende nada"...

Por dentro eu ria
Satisfeito e mudo
Eu era um homem
E entendia tudo...

Hoje só com meus problemas
Rezo muito, mas eu não me iludo
Sempre me dizem quando fico sério:
"Ele é um homem e entende tudo"...

Por dentro com
A alma tarantada
Sou uma criança
Não entendo nada...

3 comentários:

  1. ótimo blog e muito bom o texto. lembrei de algumas coisas: antes de vir para JF, detestava a cidade e hoje gosto muito daqui. não gostava muito de comunicar até fazer comunicação. acho que o verbo ideal para se ter uma vida interessante, de muitas descobertas é o "experimentar" - com bom senso. Devemos experimentar tudo aquilo que pode nos fazer ir para a cama com o terrível pensamento: porque eu deixei de fazer aquilo?
    é boa a experiência do experimentar. experimentar um roupa diferente, um penteado para outro lado, novos gostos musicais, novos dons...enfim, não há graça nenhuma em ir no japão e não comer sushi. espero que na minha vida, possa ter tantas experiências quanto horas vividas.
    realmente fiquei inspirado com o seu texto e que bom que você gostou de bacalhau. espero que não vicie
    abração lucas e parabéns pela iniciativa
    Marcus Martins

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  2. OIe lucas

    Parabens pelo blog, os textos sao otimos..bjs

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  3. Se você, com 22 anos, já percebe isso, imagine quando chegar aos 50, como eu!
    Tantas coisas perdem o sabor e outras, que desprezávamos, passam a ser extremamente saborosas!
    Quem, com o passar dos anos, não muda os "gostos", é porque não cresceu, não evoluiu; continua criança - ou adolescente -, emocionalmente falando.
    Gostei muito, meu querido, muito bom!
    É sinal que está parando para refletir, repensar seus valores...
    Deve ser por isso que continua em férias forçadas, eh, eh. Papai do Céu sabe o que faz!
    Abs de paz
    Lila Reis

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