Antes de mais nada é preciso pedir desculpas pela falta de um texto ontem. Viajei e fiquei sem acesso à internet. Estou de volta e pronto para continuar as postagens diárias.
Não é de hoje que eu penso nessa situação, mas ao ler um texto que falava sobre o assunto, fiquei instigado a escrever e dar meu pitaco (opinião é para especialistas e de música eu entendo tanto quanto de motor de avião – mas estou certo de que ouço boa música). A música e a modernidade, escrito pela jornalista Marinella Souza exprime bem a minha forma de ver, mas é sempre bom falar também para poder engrossar o coro e tentar fazer a diferença.
Comparando-se a produção musical da década atual com a das décadas passadas, ouso dizer que vivemos um período morto. Nada que valha a pena ouvir foi produzido. É uma posição radical. Existem exceções, claro. Mas de uma maneira geral, criamos apenas músicas de balada, para balançar o corpo. Citando o texto de Marinella “Não se pode negar, no entanto, que a batida moderninha é muito eficiente quando o propósito único do indivíduo é a diversão: na balada, para curtir com os amigos nada melhor do que um ritmo que embale de forma sensual e envolvente os corpos ávidos por uma interatividade com o sexo oposto”.
Não entra em minha cabeça, no entanto como o sujeito consegue ouvir um “batidão” enquanto está no trânsito, por exemplo. O momento já é caótico por si só. Com as batidas a situação consegue ficar ainda pior. Por que não aproveitar o momento e ouvir músicas que façam pensar? Porque elas estão em extinção. As composições que se encaixam nessa categoria são antigas e é preciso vestir a camisa “retrô” para ouvi-las.
A questão em que devemos pensar não é a qualidade dos artistas. Muitos dos que produziram maravilhas musicais ainda estão em atividade e talentos não deixaram de nascer. O problema é a falta de matéria prima para a criação. Vivemos em um país sem grandes conflitos ideológicos como os do tempo da ditadura. Um país que caiu na rotina da falcatrua. Não prego a volta dos anos de chumbo para que voltemos a agir de maneira inteligente. Quero mesmo é que as pessoas saiam do estado de apatia em que se encontram e comecem a questionar nossa realidade, como era feito há poucas décadas.
Empunhe suas armas. Use o que tem de melhor para fazer um futuro do qual se orgulhe de ter construído. Caso precise de uma injeção de ânimo, um pouco de MPB pode ajudar (e a mensagem ainda vale como hino contra a música ruim). Apesar de você, de Chico Buarque:
Hoje você é quem mandaFalou, tá faladoNão tem discussão, não.A minha gente hoje andaFalando de lado e olhando pro chão.Viu?Você que inventou esse EstadoInventou de inventarToda escuridãoVocê que inventou o pecadoEsqueceu-se de inventar o perdão.(Coro) Apesar de vocêamanhã há de ser outro dia.Eu pergunto a você onde vai se esconderDa enorme euforia?Como vai proibirQuando o galo insistir em cantar?Água nova brotandoE a gente se amando sem parar.Quando chegar o momentoEsse meu sofrimentoVou cobrar com juros. Juro!Todo esse amor reprimido,Esse grito contido,Esse samba no escuro.Você que inventou a tristezaOra tenha a finezade desinventar.Você vai pagar, e é dobrado,Cada lágrima roladaNesse meu penar.(Coro2) Apesar de vocêAmanhã há de ser outro dia.Ainda pago pra verO jardim florescerQual você não queria.Você vai se amargarVendo o dia raiarSem lhe pedir licença.E eu vou morrer de rirE esse dia há de virantes do que você pensa.Apesar de você(Coro3)Apesar de vocêAmanhã há de ser outro dia.Você vai ter que verA manhã renascerE esbanjar poesia.Como vai se explicarVendo o céu clarear, de repente,Impunemente?Como vai abafarNosso coro a cantar,Na sua frente.Apesar de você(Coro4)Apesar de vocêAmanhã há de ser outro dia.Você vai se dar mal, etc e tal,La, laiá, la laiá, la laiáÂ
Tinha feito um comentário mas ele ficou mto ruim. Resolvi deixar pra lá, já q nossa visão d música é exageradamente oposta ahahaha. A gente sobreviverá a isso. Abraço
ResponderExcluirEu sou dessas que ouve batidão no transito caótico e me sinto mais feliz! Adoro uma musica dançante mesmo fora da balada. Mas sou um pessoa consciente independentemente do meu gosto musical, hehe, bjus!
ResponderExcluirNem preciso dizer o quanto concordo com tudo o que está escrito, né?! Grande beijo e obrigada pelas referências. hehe
ResponderExcluirMúsica é arte. Arte é expressão da alma. As músicas estão vazias porque as almas estão vazias. E não é por falta de ideologia. É por falta de pensar. Pensar no porquê de se existir, no porquê de se amar, no porquê de fazermos parte da massa... Mas hoje quase ninguém - após um dia exaustivo de trabalho, de trânsito parado, casa e família pra cuidar - se dá o trabalho de questionar as próprias atitudes, seja no trabalho, em casa ou com os amigos: pensar no que valeu a pena, no que não valeu a pena e no que poderia ser melhor...
ResponderExcluirAcredito que o mundo esteja assim porque o capitalismo já não rege apenas a dinâmica de mercado, mas também as mentes e as emoções humanas. "Amores" e carícias são trocados como mercadorias. Pessoas são escolhidas ou rejeitadas como produtos em um super mercado: pelo rótulo ou pela posição que ocupam nas prateleiras das classes sociais.
E seguindo essa dinâmica, as relações humanas tornam-se tão baratas que não há mais prazer em cultivá-las... A consequência disso é a apatia e a indiferença generalizadas na sociedade.
E o que as músicas atuais tem a ver com tudo isso? Elas simplesmente refletem a lógica do sistema e o alimentam à medida que proporcionam um abiente adequado para o consumismo, cada vez maior, de produtos e pessoas...