sexta-feira, 3 de abril de 2009

O problema do "de graça"

Na última quarta-feira eu estava em Ouro Preto, cidade em que morarei a partir de domingo e me deparei com um problema que me informaram ser crônico na cidade: a falta de água. O motivo para esse problema? A água é de graça em Ouro Preto, por isso falta. Isso me fez pensar na qualidade dos serviços que são oferecidos gratuitamente (ou supostamente são gratuitos).

O exemplo que vem na cabeça são as rodovias estaduais e federais: sabemos que o serviço não é gratuito, pois pagamos o IPVA de nossos carros (mas não o encaramos como um serviço pago porque não vemos o dinheiro saindo de nosso bolso quando de nossas viagens). Não é raro ouvir alguém comentando que as rodovias deveriam ser todas privatizadas e ter pedágio. O IPVA seria extinto para que a qualidade do serviço aumentasse. A solução parece boa, mas não deveria ser necessário pensar nisso uma vez que pagamos um imposto para a manutenção das estradas.

Quando chegamos nesse ponto encontramos no ar uma pergunta: para onde vai o dinheiro desse imposto pago? Porque as rodovias não são recuperadas e o recurso desaparece. São dois os destinos possíveis.

O primeiro é o tradicional dinheiro público que é desviado por meio da corrupção, claro (chego a pensar que a maior parcela é usada nisso). A causa desse problema é a crise moral da sociedade (não acho que seja apenas um problema localizado na política). A afirmativa é feita pela vivência diária em que pessoas comuns falam da corrupção política e agem em contradição ao que pregam (para mim não existe diferença entre desviar o dinheiro público, roubar o sinal de internet do vizinho ou simplesmente pegar uma inocente bala sem pagar – muda-se a escala, mas o erro é o mesmo).

O segundo destino possível é um atestado de falta de capacidade de gerenciamento – problema esse enfrentado, também, nos lares brasileiros. É o famoso “descobrir um santo para cobrir outro”. É o dinheiro reservado para comprar o leite sendo usado para comprar um tênis. É o dinheiro do aluguel sendo usado para trocar o carro. É o dinheiro do IPVA sendo usado na saúde.

Voltando ao assunto principal - os serviços gratuitos - não creio que eles necessariamente sejam ruins. Eles têm condições para serem bons, o problema é o mau uso daquilo que não é cobrado. Se pensássemos que valorizando e fazendo uso racional daquilo que nos é oferecido sem custos faria com que a qualidade se mantivesse alta ou se elevasse, não faltaria água em Ouro Preto e as estradas não seriam esburacadas (pode parecer meio Poliana o que diz respeito às estradas, mas pense, por exemplo, no excesso de carga dos caminhões que a visão se torna menos inocente).

3 comentários:

  1. Esta é apenas uma mostra do que nos é oferecido pelo governo. A saúde também é crítica e de graça nem injeção na testa!

    ResponderExcluir
  2. Lucas, finalmente vou comentar algo no seu blog.

    Em realação ao IPVA o recurso dele é dividido da seguinte forma:
    50% para o Estado
    50% para o município

    E por ser um imposto, ele não tem um destino pre determinado, igual ao IR, ao IPI, ao IPTU.

    No caso do IPVA cabe as prefeituras e o governos estaduais escolher a sua melhor forma de destino.

    O IPVA nao é um imposto para as estradas, como é de senso comum, se fosse se chamaria taxa, como a taxa de iluminação publica, que é um recurso especifico para a iluminação das ruas. Sendo assim, o IPVA é um imposto sobre o patrimônio, o carro, assim como o IPTU é sobre o imovel, e IR é sobre a renda

    abraços

    ResponderExcluir
  3. Demorou para comentar e quando comentou me fez ter vontade de apagar o post. Rachou minha cara de vergonha.

    Mas o post vai ficar aí para as pessoas aprenderem também.

    Obrigado pelo esclarecimento.

    ResponderExcluir