terça-feira, 14 de abril de 2009

Racismo americano

Para quem pensa que o problema do racismo nos Estados Unidos foi superado com a eleição de Barack Obama para a Casa Branca está enganado. O preconceito estadunidense agora é contra os cachorros de elite (não me refiro aos políticos corruptos ou empresários inescrupulosos).

Acredite se puder: grupos de proteção aos animais resolveram implicar com o primeirocachorro (neologismos seguem o novo acordo ortográfico?) pelo fato de o animal ser de raça: um
cão d´água português (tudo bem que isso parece mais nome de uma espécie exótica de peixe ou um tipo especial de bacalhau). Se minha palavra de jornalista de uma cidade do interior de Minas Gerais não for suficiente, a notícia de onde tirei as informações sobre o cachorro do Obama está no portal Terra.

A vida de figura pública não deve ser nada fácil: não basta ter um cão de segunda mão, tem que ser um viralata de segunda mão. É claro que se a família Obama tivesse adotado um cachorro sem raça pessoas do mundo inteiro seguiriam o exemplo (acho mais adequado dizer tendência – porque o peixe, digo, cão d´água português vai virar moda) e muitos animais deixariam de ser sacrificados em canis ao redor do mundo (menos em países asiáticos onde eles fazem parte da dieta).

“esse tipo de cão poderia ser encontrado em inúmeros sites de resgate de animais na Internet ou através de grupos de protetores dos cães d'água portugueses

A declaração chamou minha atenção. Vai caçar um serviço! No mínimo os grupos protetores dos cães d´água portugueses são parceiros da Associação de Proteção às Borboletas do Afeganistão.

Esse pessoal não tem mais o que fazer da vida? Será que eles não sabem que existe uma marolinha chamada de Crise Financeira Internacional que precisa ser muito mais debatida do que os animais de estimação da família Obama?

Na próxima vez eles deviam comprar um peixinho beta na calada da noite para evitar os holofotes e o assédio dos grupos protetores dos peixes beta jogados pelo ralo.

2 comentários:

  1. Pois, é. Tanto alarde em torno de um cachorro me deixa com uma grande interrogação na cabeça: o que eu tenho com isso?? Às vezes acho que depois de nos perguntarmos o quê, quem, quando, onde e por que deveríamos nos perguntar: "e daí?" antes de escrever uma matéria. Tanta coisa importante acontecendo e noticiários considerados relevantes interessados no cão com nome de peixe da primeirafamília norte americana. Haja paciência!

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  2. Chega ser engraçado!
    É cada uma que temos que engolir... A seco!

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