terça-feira, 30 de junho de 2009

De volta às trivialidades

Depois de dois meses sem publicar no blog, voltei a escrever motivado pela decisão do STF. Hoje volto a escrever sobre assuntos variados. Não que eu tenha me acostumado com a arbitrariedade e sim porque quero exercitar meu “conquistado” direito de liberdade de expressão (o conquistado entre aspas não é porque acho que não tenha esse direito. É porque ele não foi conquistado no dia 17 de junho, já o tinha desde que nasci – insisto: expressão não é o mesmo que informação).

Hoje decidi me aventurar no mundo do cinema. Não fuja! Não vou falar de Encouraçado Potemkin ou de Ladrões de Bicicleta. Muito menos de Acossado. Quem sabe um dia fale de Corra Lola, corra.

Cinema nacional. É sobre isso que vou falar. Mais precisamente de uma superprodução nacional. Um filme de ação, cheio de efeitos especiais. Objeto raro em nosso país.

Somos acostumados a comédias e dramas. Filmes que não demandam um orçamento grandioso. Mas em outubro deste ano, mais precisamente no dia 30, estreia “Besouro”, um filme de ação com uma temática genuinamente brasileira. A história se baseia em fatos reais e mostra a luta de Besouro, nos anos de 1920, contra a opressão aos ex-escravos.

O orçamento do filme é de R$ 10 milhões. Bem maior do que o de “Meu nome não é Johnny”, por exemplo, que é de R$ 6 milhões, mas nada que se compare ao de superproduções estrangeiras: Matrix Reloaded gastou nada menos do que US$ 127 milhões. Mais ou menos R$ 254 milhões.

Posso parecer um bobo ao comparar os gastos de Besouro e Matrix, mas existe um motivo para isso: o coreógrafo de lutas dos dois filmes é o mesmo: Hiuen Chiu Ku, o mesmo de “O Tigre e o Dragão” e “Kill Bill”.

O elenco é composto por atores desconhecidos e capoeiristas do Recôncavo Baiano. A preparação deles foi feita por Fátima Toledo, responsável também pelos atores em “Tropa de Elite” e “Cidade de Deus”. O roteiro é de Patrícia Andrade, roteirista de “Os 2 filhos de Francisco”. A direção marca a estreia de um dos publicitários mais premiados do país, João Daniel Tikhomiroff (vou criar uma marca de vodka com esse nome), em longas.

Duas coisas são certas: o filme é diferente do que já foi produzido no Brasil e eu estarei em uma sala de cinema no dia 30 de outubro para conferir a história desse heroi brasileiro.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Jornalista, uma nota de falecimento

Juro que este é o penúltimo texto sobre a decisão do STF. Já deve estar chato ler sobre o mesmo assunto. O artgo a seguir foi escrito por Guilherme Cardoso, leito do jornal "O Globo"


Faleceu na noite desta quarta-feira, dia 17 de junho de 2009, o Jornalista Profissional Brasileiro. O seu corpo, juntamente com o Diploma da profissão, será velado a partir de hoje nos sindicatos da categoria e em todas as redações de rádios, jornais, revistas e emissoras de televisão do Brasil.

Jornalista, sério, ético e competente, deixa órfãos milhões de brasileiros que viam nele o Quarto Poder, o defensor incansável de seus direitos civis. Brasileiro, nascido em Londres em 1º de junho de 1808, foi casado com Dona Colônia, já falecida; juntou-se ao DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) no Estado Novo, em 1930; manteve por 20 anos uma relação tempestuosa e proibida com a falecida Ditadura Militar de 64; na Constituinte de 1988, acreditou na Democracia, uniu-se a ela, sendo mantido até agora sob os interesses dos Donos da Mídia. Insatisfeito com este matrimônio, mantinha uma relação extraconjugal com a Esperança, que continua viva, embora bastante debilitada.

Nos últimos anos, ele, Jornalista, vinha enfrentando sérios problemas de saúde e credibilidade, causados pelas críticas à produção de diversas reportagens denuncistas, muitas verdadeiras, mas a maioria delas publicadas pelos seus patrões sem as devidas investigações que pudessem comprovar os fatos.

Com o fim do Diploma para o exercício da profissão, o Jornalista sério, ético e competente, morreu ontem, 17 de junho de 2009, às 20h14, de falência múltipla de órgãos, na mesa de cirurgia do Supremo Tribunal Federal.


Defenderei até o fim a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Quem for da mesma opinião que eu, ponha o nome no abaixo assinado para tentar reverter a situação:

terça-feira, 23 de junho de 2009

Para que o diploma?

O ministro Gilmar Mendes janta em um dos melhores restaurantes de Brasília, lhe servem uma comida estragada.
Quando chega em casa o ministro sente-se mal, vai ao hospital. Chegando lá, sem lhe perguntarem o que está sentindo, amputam-lhe uma perna. Revoltado, o ministro volta para casa e convoca a imprensa. Apenas um jornalista vai à casa do ministro conversar com ele, vê que vive em uma suntuosa mansão, percebe que a mulher do ministro que é muito linda tem um caso com o motorista, que o ministro tem obras de arte, carros importados que fazem jus ao seu cansativo trabalho no Supremo de julgar as causas de todo o Brasil. O repórter no entanto não dá a mínima atenção para a perna amputada do ministro, para a comida estragada ou para a história que o ministro tenta contar. Mais revoltado ainda, o ministro liga para um advogado e pede para entrar com uma ação contra o jornalista, o médico e o cozinheiro. A ação foi feita dentro de todos os parâmetros que a Justiça exige. Ao avaliar o mérito da questão o juiz não dá ganho de causa para o ministro, pois o cozinheiro que lhe fez a refeição estragada era advogado, o médico que lhe atendeu era açougueiro, o jornalista que foi à sua casa era um chefe de cozinha, o advogado que fez a ação era um jornalista e o juiz que julgou o mérito chama-se Marco Aurélio Mello.

Texto de um Jornalista

Defenderei até o fim a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Quem for da mesma opinião que eu, ponha o nome no abaixo assinado para tentar reverter a situação:

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Abaixo assinado contra decisão do STF

Defenderei até o fim a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Quem for da mesma opinião que eu, ponha o nome no abaixo assinado para tentar reverter a situação:


sábado, 20 de junho de 2009

Compilando opiniões

Depois de mais de um mês sem escrever neste blog, o Capiau Urbano sai do mato e volta ao contato com a civilização. Mais do que nunca é preciso cumprir meu papel de Jornalista, com "J" maísculo. Tenho consciência de que não sou tão lido, mas o pouco que sou já é importante. É preciso agir no momento em que minha profissão, sem exageros, minha vocação, está ameaçada.

Antes de escrever o meu texto, um apanhado de textos acerca da decisão do STF.

Uma decisão danosa

Por Alberto Dines

Difícil avaliar o que é mais danoso: a crítica do presidente Lula à imprensa por conta das revelações sobre o comportamento do senador José Sarney (PMDB-AP) ou a decisão do Supremo Tribunal de eliminar a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo. São casos diferentes, porém igualmente prejudiciais à fluência do processo informativo. E exibem a mesma tendência para o sofisma, a ilusão da lógica.

Fiquemos com a decisão do STF. Embora irreversível, não é necessariamente a mais correta, nem a mais eficaz. A maioria do plenário seguiu o voto do presidente da Corte, Gilmar Mendes, relator do processo, que se aferrou à velha alegação de que a obrigatoriedade do diploma de jornalista fere a isonomia e a liberdade de expressão garantida pela Constituição.

Para derrubar esta argumentação basta um pequeno exercício estatístico: na quarta-feira em que a decisão foi tomada, nas edições dos três jornalões, dos 29 artigos regulares e assinados, apenas 18 eram de autoria de jornalistas profissionais, os 11 restantes eram de autoria de não-jornalistas. Esta proporção 60% a 40% é bastante razoável e revela que o sistema vigente de obrigatoriedade do diploma de jornalismo não discrimina colaboradores oriundos de outras profissões.

No seu relatório, o ministro Gilmar Mendes também tenta contestar a afirmação de que profissionais formados em jornalismo comportam-se de forma mais responsável e menos abusiva. Data vênia, o ministro-presidente da Suprema Corte está redondamente enganado: nas escolas de jornalismo os futuros profissionais são treinados por professores de ética e legislação e sabem perfeitamente até onde podem ir.

É por isso que na Europa e Estados Unidos onde não existe a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, são as empresas jornalisticas que preferem os profissionais formados em jornalismo, justamente para não correrem o risco de serem processadas e punidas com pesadas indenizações em ações por danos morais.

O STF errou tanto no caso da derrubada total da Lei de Imprensa como no caso do diploma. E foi induzido pela mesma miopia.

Quero ser Juiz de Direito, Sem exigência de diploma!

Por Gadelha Neto

A decisão do STF, que dispensa o diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, me abre um mundo novo: a possibilidade de ser Juiz de Direito e, quem sabe, até alçar voo rumo ao próprio Supremo.

Sim, porque a decisão deixou claro que a minha profissão não exige diploma porque não são necessários conhecimentos técnicos ou científicos para o seu exercício. Disse mais: que o direito à expressão fica garantido a todos com tal “martelada”.

Tampouco a respeitabilíssima profissão de advogado e o não menos respeitável exercício do cargo de juiz pressupõem qualquer conhecimento técnico ou científico. Portanto me avoco o direito (e, mesmo, a obrigação), já que assim está decidido, de defender a sociedade brasileira diante dos tribunais e na própria condução de julgamentos.

Além de ser alfabetizado e, portanto, apto a ler, entender, decorar e interpretar nossos códigos e leis, tenho 52 anos (o que me dá experiência de vida e discernimento sobre o certo e o errado) e estudei – durante o curso de jornalismo (!) – filosofia, direito, psicologia social, antropologia e ética – entre outras disciplinas tão importantes quanto culinária ou moda: redação em jornalismo, estética e comunicação de massa, radiojornalismo, telejornalismo, jornalismo impresso etc.

Com essa bagagem e muita disposição, posso me dedicar aos estudos e concorrer às vagas de juiz pelo Brasil afora, em pé de igualdade com os colegas advogados. Também posso pagar e me dedicar aos cursos especializados em concursos públicos para o cargo, se eu julgar necessário. E não é justo que me exijam, em momento algum, qualquer diploma ao candidatar-me ao cargo.

Afinal, se a pena de um jornalista não pode causar mal à sociedade (!!?), a de um juiz também não teria este poder de fogo. As leis – e elas são justas em si – existem para serem cumpridas e cabe a um juiz, tão somente – usando da simplicidade do STF – seguir a “receita de bolo” descrita pelos nossos códigos. Assim sendo, um juiz não pode causar mal algum a ninguém, se seguir, estritamente, o que determina a lei. Concordamos?

Data venia, meus colegas advogados, por quem nutro o devido respeito (minha mãe, cunhada, irmão e sobrinha – por favor, compreendam) , quero ser juiz porque é um direito meu, assegurado pelo STF, e o salário de jornalista não está lá estas coisas.

Sim, nós temos diploma!

Por Marinella Souza

Depois da notícia que chocou o universo jornalístico na tarde de ontem, minha primeira reação foi de revolta. Passado o susto, ficou... a revolta. Se esta construção lhe parece estranha, eu explico.


Num primeiro momento revoltei-me com o fim da exigência do diploma, depois o que me revoltou foram os argumentos usados para justificar tal ato. Ok, o diploma não é garantia de excelência profissional e muitos dos profissionais que admiramos e respeitamos hoje não tinham o bendito registro, mas... ele se tornou obrigatório e as regras do jogo mudaram.


O jornalismo que era função opinativa passou a ter caráter informativo, o que mudou toda a estrutura de construção de uma notícia. Concordo que a maior escola é a prática (bem ditos sejam os meus estágios no meu processo de aprendizado), no entanto, se não soubesse o mínimo de teoria sobre o fazer jornalístico, não teria me mantido numa redação nem como aprendiz.


Disseram os defensores do projeto que a exigência do diploma fere os direitos da liberdade de opinião e informação. A meu ver, essas nunca foram tolhidas, afinal, as seções opinativas jamais morreram (nem devem morrer posto que fazem o elo entre o indivíduo e o mundo que o cerca), em especial nos dias de hoje em que a interatividade é a tônica de todas as profissões.


Se qualquer cidadão vai poder exercer a profissão de jornalista, então, que entendam aquilo que os ministros parecem não compreender: as principais regras do jornalismo são a objetividade e a IMPARCIALIDADE. Ou seja, não exigir o diploma fere um princípio básico da profissão e não o direito de liberdade de expressão. Textos opinativos, escritos em primeira pessoa,como este que você está lendo, têm seus espaços garantidos nas publicações impressas onde os autores assinam artigos e/ou crônicas como colaboradores. Logo, esse argumento é falho.


Quanto ao fato de comparar jornalista à artista, bem... acho que dispensa comentários. Penso ser clara a diferença entre uma coisa e outra. Será que o Supremo Tribunal Federal acredita que a Fátima Bernardes vai estrelar a próxima novela das oito fazendo par romântico com o William Bonner?


Apesar de toda a revolta, acredito que esse não será o fim das faculdades nem do diploma. Creio que as faculdades terão que se repensar e o diploma vai começar a ser um diferencial para o profissional. Prefiro (e preciso) acreditar que os donos de empresas jornalísticas de qualidade não vão colocar o bolso acima da idoneidade de seus veículos e, sendo assim, não se arriscarão a colocar seus jornais, revistas, rádios, sites e tv’s nas mãos de pessoas despreparadas.


Ok, ok, ok. Confesso meu romantismo, mas eu ainda faço parte daquele seleto grupo de pessoas que ainda acredita que o bem vence o mal no final e que tudo tem o lado bom. Talvez isso seja culpa dos inúmeros desenhos animados da década de 80 que assisti ou às incansáveis vezes em que li (e assisti) a história de Pollyana, a órfazinha loira que transformou a vida das pessoas no pequeno povoado em que vivia sua amarga tia.

Voltando à realidade e dando certa dose de realismo ao meu discurso, admito que as faculdades têm as suas falhas e que nem sempre formam profissionais de qualidade, mas não é justo que as regras do jogo sejam alteradas tão drasticamente por conta de maus jogadores. Se for para ser assim, então, acaba logo com o Congresso!