sábado, 29 de agosto de 2009

Santo de casa também faz milagre

O final da década de oitenta e o início da de noventa foi o período de minha infância. Época da vida em que se é cheio de curiosidades e o pai é o dono de todas as verdades e conhecimentos do mundo. É nesta idade que achamos que ele é um super herói, que ele é milionário e muito inteligente (hoje sei que meu pai não é milionário).

É bem viva em minha memória a cena de uma conversa. Quase viva. Não sei de onde surgiu o assunto, mas na época em que os carros brasileiros ainda eram carroças, de acordo com o ex-presidente, Fernando Collor de Mello, meu pai falava sobre os importados. Não só de carros, de produtos em geral. Eis que eu perguntei para ele se tudo o que era importado era melhor do que o que era produzido aqui?

Ainda bem que em sua sabedoria de um homem de menos de trinta anos na época ele me disse: nem tudo, meu filho. Nem tudo.

Concordo. Naquela época os brinquedos da Estrela e da Grow eram bem melhores do que os importados da China hoje em dia. Ainda acho que um grupo de samba brasileiro é melhor que um japonês – não encontrei um link de samba japonês, mas já vi na TV.

Escrevo hoje como um manifesto ao nacionalismo e valorização do que é feito por aqui, motivado por uma matéria veiculada na Globo News:

Tudo bem, a patente é francesa, mas temos a tecnologia e a mão de obra adequadas para produzir a vacina. Este foi um exemplo de um problema atual. Mas posso citar também o fato de o Brasil ser referência no tratamento da aids e os biocumbustíveis, assunto que começou a ser tratado durante a ditadura – talvez um dos poucos pontos positivos deste período de nossa história, por mais que seu desenvolvimento não tenha se baseado nas causas ambientais de hoje e sim em fatores econômicos, no caso, a crise petróleo, na década de setenta.

Mais um ponto da ditadura que eu considero positivo – com parte dele: “Brasil, ame-o ou deixe-o!”. Não quero ver ninguém exilado, longe de mim. Mas aos que dizem: tal coisa só acontece no Brasil; só os políticos brasileiros são corruptos e afins: por que não tentar a vida no exterior?

Um dia pretendo viver fora, mas valorizar nossa terra mãe acima de tudo é fundamental! O Brasil é como uma família: tem seus problemas, mas não venham falar mal dela!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Como se dar bem numa festa, por André Valente

Todos sabem que este é um blog muito sério. Aqui só é postado conteúdo jornalístico de primeira. Em dias manteiga derretida abro meu coração e posto uma crônica. Pois bem. Dias desses eu estava procurando não sei o que por aí e me deparei com o blog de André Valente e uma obra prima da blogosfera. Depois de muito relutar e pensar como dividir o que eu tinha aprendido, resolvi postar. Caros leitores homens, aí vai a dica. Caras leitoras, cuidado com um cara assim:


terça-feira, 25 de agosto de 2009

Internet, a mãe dos solteirões

Sou o típico solteirão que não sabe cozinhar. De acordo com o dito popular, não sei nem fritar ovo (muito embora algumas cozinheiras defendam que fritar um ovo não é tão simples assim). Até abril eu vivia sob as asas da mamãe. Depois disso, para minha sorte, (ainda) não precisei cozinhar, graças ao marmitex nosso de cada dia.

Tenho fogão em casa, mas ainda não comprei gás. Só faço café. Para isso me basta o microondas. Até mesmo para cozinhar ele é suficiente (pelo menos na culinária experimental de Lucas Girardi). Quando me arrisquei, obtive os mais diversos resultados: desde comidas intragáveis até um delicioso manjar. Para completar, o inacreditável Google fornece receitas de microondas para os dias que resolvo ser convencional.

Após dois parágrafos de divagações, vamos ao fato que me motivou a escrever sobre esta mãezona.

Semana passada eu manchei uma camisa com tinta de caneta. Não sei como. Meu editor já foi logo dizendo:

- Agora só vai poder usar com o paletó. Tinta de caneta não sai.

Voltei para casa meio entristecido. Um tanto quanto jururu. Sorumbático (bonita palavra, né?). Sem vontade de cantar uma bela canção. O oposto de Joseph.

Dias depois, decidi procurar na internet uma maneira de tirar a mancha da camisa. Encontrei uma solução simples: colocar um pedaço de papel higiênico debaixo do sujo e pingar álcool. A tinta se dissolveria e passaria para o papel. Não é que deu certo! Quase rabisquei outra roupa só para ver a mágica acontecer.

O detalhe: usei álcool em gel, claro. Em tempos de gripe suína não se pode dar bobeira nem para tinta de caneta.

Aproveito para defender a teoria: o que não está no Google, não existe.

sábado, 22 de agosto de 2009

Um conto (quase) erótico

Caros amigos de prosa, eu aviso: o que vou contar agora é verdadeiro e obsceno. Leia apenas se conteúdos obscenos não causarem choque. A obscenidade deste fato obsceno é de imensurável obscenidez.

Já deu para causar suspense?

Chega de falácias flácidas para dormitar bovinos.

Sábado à noite. Ouro Preto. Vielas pouco iluminadas e estreitas. A chuva caía do lado de fora. Encontrava-me dentro de casa. Não esperava visitas. Ouvi vozes. Repentinamente bateram à minha porta. Ela é de vidro. O imóvel pequeno. O barulho foi alto. Levei certo susto.

Levantei-me e fui ver quem era. Antes de acender a luz, vi apenas uma silhueta feminina do lado de fora. Imaginei ser uma amiga que dissera no dia anterior que iria a uma festa perto de onde moro. Não era ela. Um rosto desconhecido, acompanhado de outros dois: um feminino e outro masculino.

Eu vestia uma calça de moletom e uma blusa que era de meu avô. Estava pronto para dormir. Parecia um velho, um tiozão. A mulher em minha frente corroborou minha impressão ao dizer:

- Moço, a gente está em uma festa e o banheiro está super lotado. A gente pode usar o seu? (Moço? Ela devia ter minha idade!)

Logicamente eu assenti. Não se nega um copo de água nem uma ida ao banheiro a quem bate a sua porta. As duas moças foram ao toalete. Eis que o rapaz me solta a clássica pergunta nas redondezas ouropretanas:

- Você estuda aqui?

Não aguento mais. Acho que vou mandar confeccionar uma camisa: Não, eu não estudo na UFOP!

A bem da verdade, este texto foi escrito só para passar o tempo em uma noite de sábado dentro de casa. Pelo menos eu não gastei nada.

E para constar: obsceno é uma cena que choca. Eu fiquei chocado quando vi que o chão da sala que tinha acabado de limpar ficou todo marcado de pés sujos. Talvez a garota tenha razão em me chamar de moço.

Paiaçada!

Antes de qualquer coisa um esclarecimento acerca do título deste texto: paiaçada é algo muito parecido com palhaçada. No circo, os palhaços fazem palhaçada – existe uma relação direta com o riso. Fora do picadeiro o que acontece é a paiaçada, que nada tem com o humor – muito pelo contrário, a mim me deixa de mal humor.

Pronto, estabelecido o conceito, vamos à paiaçada:


video

Hora da matemática: arredondando os quinze mil novecentos e alguma coisa para 16 mil reais os cálculos ficam redondos. Segundo matéria publicada no site do jornal “O Progresso”, de Dourados, no Mato Grosso do Sul, o custo diário da merenda de uma criança é, em média, R$ 0,80 – só para chamar mais atenção: oitenta centavos.

Aos cálculos.

16 mil divido por zero vírgula oito é igual a 20 mil – este número representa a quantidade de merendas servidas com o dinheiro gasto na paiaçada de roubar placas.

Para deixar ainda mais claro, cheguemos ao número de crianças que merendariam em um ano com este dinheiro mal gasto: 20 mil dividido por 200 (número de dias letivos em um ano) é igual a 100! Cem crianças teriam a merenda garantida com o recurso.

A paiaçada, contudo, deixou os pequenos Sem nada! – tosco o trocadilho do cem e do sem.

Sem querer ser um taleb – singular de taleban, que significa estudante (o que não vem ao caso agora), mas já sendo: estes paiaços merecem uma surra de gato morto até o bichano miar...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não foi a mãe quem batizou

Os mineiros são realmente muito práticos. Quem nunca ficou apertado porprecisar do telefone de um tal Meio Quilo e não sabia como procurar na lista telefônica?

Pois bem, em Poço Fundo, Minas Gerais (não Passo Fundo, Rio Grande do Sul), o problema foi resolvido por um jornal local. Foi publicado um catálogo de telefones a partir de apelidos. Prático. Funcional e em alguns casos, essencial.

Existem pessoas que receberam um nome no batismo e só. Depois disso apareceu um apelido tão marcante que nem mesmo a própria mãe chama o pobre coitado pelo nome. Algumas vezes é o melhor que poderia acontecer ao sujeito. É o caso de nomes um tanto quanto estranhos. Trabalho com um Cleidivânio que virou Nico.

Não preciso ir longe: não sou neto do Manuel Francisco, sou neto do Nenzinho. Sou filho do Dandão e não do Márcio. Tenho um amigo que se chama Tood (sempre fico na dúvida quanto à grafia). No final de semana encontrei com um cara de minha cidade que disse que eu não lembrava dele. Disparei: você é o Peixe Morto – não me perguntem o nome dele. Estudei com o Br’oz e com o Fritz. Já ia me esquecendo do Latino.

Houve uma época em que eu não fazia questão de dizer meu nome quando me apresentavam pelo sobrenome. Tem gente que não deve saber que me chamo Lucas. Até hoje sou o Girardi.

Agora vivo em Ouro Preto. Aqui ninguém tem nome. Todos têm apelidos. Conheci um Xixi, um Jacuí, um Marcha, um Por Enquanto, um Espanto. A lista não acaba. Também pudera. Aqui ninguém tem casa, tem república. Até eu que moro sozinho decidi batizar a minha: Yovivoalone (Yo vivo alone).

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Não quero ficar gripado

Até hoje a Gripe Suína era apenas uma doença bem distante. Lá das colinas verdejantes onde os Teletubies iam brincar, até o dia em que caíram de cama, gripados, e morreram. Brincadeiras a parte, mesmo com as não sei quantas matérias que fiz falando da Nova Gripe, ela não passava de números – o velho tautismo dos números que não significam nada até a hora que interfere em nossas vidas.

Para ser mais claro: só nos interessamos se alguém morreu na estrada durante um feriadão se foi alguém de nossa família ou pelo menos um conhecido que se envolveu em algum acidente. E por aí vai. A Gripe Suína, que está a poucos quilômetros de minha casa, me preocupava tanto quanto a Gripe do Frango, lá no Oriente.

O verbo está no pretérito imperfeito (significa que a ação que aconteceu no passado não está terminada). Na próxima semana eu iria a uma apresentação teatral em Belo Horizonte (futuro do pretérito – não vou mais). As autoridades recomendaram que lugares fechados devem ser evitados. Eu é que não vou pagar para ver pensando que nunca vai acontecer comigo. Enquanto os porcos estiverem espirrando eu vou é ficar longe do chiqueiro – sem querer ofender nenhum dos porcamente gripados com o trocadilho, ou, já que abusei falando de tempos verbais, com a paranomásia.